Também adoro árvores. Vi chegarem pequeninas algumas das árvores do meu quintal de criança... e vi-as crescer durante anos, como vi crescerem as que já eram tão grandes quando eu nasci. A casa já não pertence à minha família - do que tenho muita pena - mas continuo a medi-las com um olhar saudoso, sempre que passo por lá. Umas vêm de antes de mim; outras não. Mas todas ficarão muito depois de eu acabar. Como alguns amores que dão a impressão de existirem desde sempre e para sempre, sem estarem expostos à erosão do tempo.
Onde as árvores mudam, o país (de onde a palavra 'paisagem') muda também. Onde mudam, quer dizer, onde se tornam diferentes, e onde emudecem.
O meu país é a terra do carvalho e da castanheira e do pinheiro; e no entanto percorro as terras da oliveira e as da alfarroba e julgo-me na minha pátria portuguesa, e já reconheci nas palmeiras do Recife a doçura da minha grande terra.
Nunca estive no deserto, nunca estive na densidão pesada do Amazonas, na savana imensa das Áfricas, nas desmedidas florestas do Norte; que pátrias, que alianças, que fraternidades, que danças me aguardariam lá? Mistério dos homens, que são árvore na diáspora, árvore no exílio.
Ruela, da cidade onde vivo saudades de um inverno assim: abraço!
Curioso. Ainda ontem, num texto que estava a transcrever, Agostinho falava de Portugal como o "país das árvores".
ResponderEliminarAbraço MIL
Também adoro árvores. Vi chegarem pequeninas algumas das árvores do meu quintal de criança... e vi-as crescer durante anos, como vi crescerem as que já eram tão grandes quando eu nasci. A casa já não pertence à minha família - do que tenho muita pena - mas continuo a medi-las com um olhar saudoso, sempre que passo por lá. Umas vêm de antes de mim; outras não. Mas todas ficarão muito depois de eu acabar. Como alguns amores que dão a impressão de existirem desde sempre e para sempre, sem estarem expostos à erosão do tempo.
ResponderEliminarAinda bem que Portugal é o "país das árvores".
Fata Morgana
Onde as árvores mudam, o país (de onde a palavra 'paisagem') muda também. Onde mudam, quer dizer, onde se tornam diferentes, e onde emudecem.
ResponderEliminarO meu país é a terra do carvalho e da castanheira e do pinheiro; e no entanto percorro as terras da oliveira e as da alfarroba e julgo-me na minha pátria portuguesa, e já reconheci nas palmeiras do Recife a doçura da minha grande terra.
Nunca estive no deserto, nunca estive na densidão pesada do Amazonas, na savana imensa das Áfricas, nas desmedidas florestas do Norte; que pátrias, que alianças, que fraternidades, que danças me aguardariam lá? Mistério dos homens, que são árvore na diáspora, árvore no exílio.
Ruela, da cidade onde vivo saudades de um inverno assim: abraço!
"As árvores são as colunas do céu e no dia em que desapareçam o firmamento desmoronar-se-á."
ResponderEliminarPena que quem tem poder ignore as palavras sábias de sobreviventes do "velho mundo"...
Abraços.
P.S. Portugal é um belo País!