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Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

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Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Olivença ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
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sábado, 30 de junho de 2018

OLIVENÇA QUER ESTAR PRESENTE NO FUTURO DO ALENTEJO

O AMAlentejo procura, entre outras coisas, defender o espaço cultural alentejano em todas as suas vertentes.História, etnografia, expressão falada e vocabulário específico, direito à autonomia administrativa, tradições. É nesse sentido que vai a minha intervenção.
O Alentejo não está completo sem ter em conta uma área de cerca de 450 quilómetros quadrados, constituída por dois concelhos. Olivença e Táliga. Não, não se trata de algum tipo de proclamação nacionalista no mau sentido do termo, nem duma reivindicação de soberania. Isso não só compete ao Estado central, evidentemente!
Trata-se apenas duma região que, culturalmente sempre foi alentejana...pelo menos desde o século XIII, quando se começaram a definir, ainda de forma vaga, características regionais em Portugal. E essa região mantém essas características, embora um tanto diluídas, já que desde 1801 muito foi feito para as destruir. Mas, contra a expetativa de muitos, elas sobreviveram. O "Português de Olivença", falado por cerca de 1 500 pessoas e entendido por cerca de 3 500, é claramente uma variante do Português alentejano.
A sua poesia tradicional, ainda viva,não deixa margem para dúvidas.Vale a pena ver alguns exemplos:
-Ó Vila Real dos coxos,/
São Bento dos aleijados,/
São Domingos dos bons moços,/
São Jorge dos mal talhados///


O meu coração é teu,/
o teu é de quem tu queres./
Uma troca faria eu,/
lindo amor, se tu quiseres.///


-Azeitona pequenina/
também vai ao lagar;/
eu também sou pequenina/
mas sou firme no amar.///


Saudades, tenho saudades,/
saudades das feiticeiras./
Lembrança das amizades/
da "Terra das Oliveiras".///


-Na vila de Olivença/
não se pode namorar!/
As velhas saem ao Sol/
e põem-se a criticar!///


-Eu já vi um valentão/
à briga com uma cidade;/
logo ao primeiro encontrão/
derrubou mais de metade!///


-Quem me dera, dera, dera,/
quem me dera, dera, dar,/
beijinhos até morrer,/
abraços até cansar.///


-Toda a vida fui pastor,/
toda a vida guardei gado;/
tenho uma chago no peito/
de me encostar ao cajado///


-Não esmoreças, cão carocho,/
que amanhã tens "fartadela" (=abundância);/
já morreu o filho mocho,/
filho da cabra amarela.///


-És branca como o leite,/
corada como a cebola;/
amores, quantos quiseres,/
casar contigo,... xó rola!///


-Se tu souberas bem ler/
nos meus olhos o feitiço,/
verias como se quer/
a paixão ao seu derriço.(=namorado)///


-Anda cá para os meus braços/
se tu vida queres ter,/
que os meus braços dão saúde/
a quem está para morrer!///


-As mocinhas lá em São Bento,/
todo o seu traje é um:/
sapatos de cinco bicos,/
e as meias da cor do cu. (ouvida em São Jorge, 1991, a Eduardo Godinho)///


-Toda a mulher que é bonita/
não devia de nascer./
É como a pera madura,/
todos a querem comer! (ouvida em San Jorge, 1992, a Severiano Nunes)///


-Meu coração chora sempre/
as lágrimas de uma santa;
são queixumes portugueses/
que se ouvem na barranca.///


Poderia continuar a dar exemplos de poesia, mas estes chegam, penso eu, para se ficar com uma ideia da tradição popular oliventina. Algumas quadras são conhecidas em todo o Alentejo,
Houve alguém, em Olivença, que foi um exemplo de preservação da língua do povo. Tratou-se de uma senhora, falecida muito recentemente, que não admitia que pusessem em causa o seu amor a uma Olivença espanhola. Todavia, e para honra e Espanha, esta incansável senhora, Rita Ascensio Rodríguez, dedicou a sua vida a escrever livros e mais livros, onde descrevia os velhos costumes oliventinos, e, o que mais nos interessa aqui, a sua maneira de falar. Muitas vezes ela opina que se trata de formas únicas no mundo, pois desconhecia o "alentejano". Todavia, ela fez recolha após recolha, e era uma das pessoas que mais sabia sobre a fala popular oliventina. O seu último trabalho ("Apuntes para una História Popular de Olivenza", 2007), para além de descrever inúmeras tradições populares, algumas já desaparecidas, tem no fim uma espécie de "pequeno "dicionário" de oliventino-espanhol.
Citar alguns exemplos é a melhor forma de justificar o tema da minha comunicação.
Começo por termos que não foram alterados, e que são comuns ao Português -Padrão:
Alcofa; (A)trapalhado; Abóbora; Agriões; Alfazema; Bacorinho; Brincos; Bicas; Bazófia; Costas; Carocha; Chapéu; Coentro; Calças; Coelho; Courela; Espalhafato; Escaravelho; Esquecer; Ferro (de engomar); Fornalha; Grãos; Gargalo; Garfo; Ervilhas; Lenço; Maluco; Melão; Minhocas; Osga; Pousio; Picha; Pintassilgo; Peúgas; Poleiro; Panela; Rola; Roseira; Ranho; Saudade; Salsa; Turra; Tacões; Ventas (nariz); Vespa.
Sigo com termos alentejanos,ou que considerei como tais para melhor explicar,na sua forma original, na sua forma actual usada em Olivença, e traduzidos, se necessário:
Azevia/Açubia(-); Alguidári; Alface/Alfaça; Azêtona; Arrecadas/Arcadas (grandes brincos); Andorinha/Andrurinha; Alarvices; Paleio/Apaleo; Asnêras; Amanhado (arranjado, preparado); Alicati; Alentar/Alantar (crescer); Aventar (deitar fora, derrubar); Vasculho/Basculho (vassoura); Melancia/B´lancia; Barbulha (borbulha); Brócolos/Broquis; Bebedêra/Bebedela; Biquêra; Badana (mulher velha); Baldi; Bandalho (mal vestido); Barranhola/Barranhali (Banheira); Púcaro/Búcaro; Boleta (Bolota); Caliche (Caliça); Cuitadinho; Descarada/Cascarada (!); Corremaça (correria); Cueiros/Culêros; Chico (Francisco); Descasqueado (Limpo); Dôtorice (jactância); Embatucado (sem palavras); Escandalêra; Engadanhado (impedido de usar os dedos por causa do frio); Empolêrar-se; Esturricar; Escancarar(abrir totalmente); Ajoelhar-se/Esvoelhar-se; Escavacada/Escavada (!); Entrudo; Enciêradas (gretadas de frio); Janela/Esnela; Centopeia/Entopeia; Falhupas (chiapas de lume); Esfregão/Fregón; Fartadela; Feijão-frade/Fradinho; Fanhoso; Fedorento/Fudurento; Fêtecêra; Farinhêra mole; Ferrugento/Furrugento; Fatêxa; Garganêro (açambarcador, egoísta); Galiquêra ou Caliquêra (doença venérea); Libória (tonta); Lençoli/Lançoli; Leque/Lecre; Mangação/Mangaçón (troça); Melhoras (Boas melhoras); Monte/Monti (Herdade); Mexeriquêra/Mixiriquêra; Mascarra (Sujidade, Amorenado); Mondar (actividade agrícola); Nódoas/Nodas; Pantanêro/Patamêro (lama); Cair de Pantanas (cair de costas); Pelintra/Pilintra; Passarola/Passarinha/Passarilha (Púbis e vulva); Piali (Poial); Reboliço/Raboliço; Remela/Ramela; Repesa (arrependida); Ralhar/Rayari; Rabujento/Rabulhento; Ceroulas/Cirôlas; Chocalhos/Sacayos; Surrelfa; Saboria (Sensaboria); Cenoura/Cinôra; Sabola (Cebola); Tanjarina; Devagarinho/Vagarito; Velhici; Varais dos òculos/Varales dos ócalus; Sarrabulho (confusão, desorganização)
Lamento ter-me alongado, mas talvez assim tenha transmitido algo de concreto que de outra forma não seria possível. Ouviram falar "alentejano", ou oliventino... como queiram; e esta senhora, Rita Asencio Rodríguez, editou mais três ou quatro livros mais antigos publicados desde há trinta anos.
Como se pode deixar perder tudo isto? A História não nos perdoaria.
Mas .. .a Língua Portuguesa, e, neste caso concreto, a sua forma alentejana, correu ( e ainda corre) riscos, e sérios, de extinção, num espaço geográfico onde era "rei e senhor". Nesta região,que fica junto da sua matriz natural. A História da sobrevivência da Língua Portuguesa em Olivença terá que ser feita um dia. Mais do que sobrevivência, é uma História de Resistência, dados a pressão e os condicionalismos vários, ainda muito mal estudados.

É de salientar que, ainda, no meio de tanta boa vontade, há a lamentar algumas omissões. Recentemente, o Estado espanhol esqueceu-se de incluir o Português de Olivença na lista de línguas minoritárias a proteger, o que deu origem a um manifesto de indignação, e disso dava conta o "El Periódico Extremadura", de 18 de junho de 2018. Citemo-lo:«O presidente do grupo de Olivença, Eduardo Naharro, explicou que no fórum de discussão na CELROM realizada no ano passado em Santiago de Compostela se encontraram, pela primeira vez, representantes de todas as línguas oficiais e não-oficiais das comunidades autónomas [espanholas], e nela participaram, , portanto, representantes da "Fala" e do português oliventino. Embora nesse fórum "se tenha chegado a acordo para enviar as conclusões ao Governo da Espanha a fim de as enviar ao Conselho Europeu", o executivo central "ignorou-nos nos relatórios emitidos periodicamente respeitantes ao cumprimento do tratado, preparado pelo Ministério da Presidência ". e para as Administrações Territoriais, uma vez que a riqueza linguística da Extremadura não se reflecte neles ". "Não sabemos as razões pelas quais tanto a "Fala" de Val de Xálima", declarado de Interesse Cultural (BIC) "como o Português oliventino, em vias de reconhecimento como BIC, não foram incluídos apesar dos vários relatórios", expressa-se no manifesto.»
A ver vamos como se desenrolará este processo, em que o Alentejo poderá (ou deverá?) ter algo a dizer!


Entretanto, sublinhe-se que muita coisa está a mudar em Olivença, desde que, não se esqueça, surgiu uma associação, em março de 2008, em Olivença,a lutar pela cultura portuguesa/alentejana em Olivença. Denominada "Além Guadiana". Recordo, uma vez mais, agora só algumas palavras, as que mais apelam ao Alentejo, dum membro da sua Direção, em 22 de Junho de 2015, na Casa do Alentejo

"Caros irmãos alentejanos, bom dia. Hoje, Olivença é mais possante ao estar mais próximo do Alentejo e da Portugalidade. A terra das oliveiras, Olivença, nunca esqueceu o seu passado e aproveitando o presente quer construir o futuro. Esse futuro passa, além de outras acções, pela confraternização com o espaço lusófono e principalmente com os nossos irmãos alentejanos.Ser Alentejano é ser especial, ser Oliventino é também ser Alentejano.Olivença “cheira” a Extremadura, mas também “cheira” a Alentejo e respira ar do Guadiana que não deixa de ser alentejano.(...)A associação cultural Além Guadiana, quer agradecer a nossa presença à Casa do Alentejo e a todos os presentes por nos ouvirem. Hoje não viemos a Lisboa, viemos ao Alentejo, quer seja Alto quer seja Baixo Alentejo.(...) para concluir queremos exprimir que: nem todas as pessoas que vêm a Lisboa têm a mesma sorte que os oliventinos ao poderem repousar na sua sala de sua própria casa: a sala de Olivença na Casa do Alentejo. Agradecemos à Casa do Alentejo por manter a chama viva de Olivença.(...)Caros irmãos portugueses, abraçamos-vos de lés-a-lés e especialmente aos irmãos alentejanos, em Olivença têm a vossa casa."

Na verdade, Olivença tem avançado neste caminho. Desta forma, para além de chegar já ao milhar o número de oliventinos com nacionalidade portuguesa desde 2014, e continuando a haver mais pedidos nesse sentido, Olivença integrou-se no processo de classificação da Raia abaluartada luso-espanhola como Património, integrada no lado português. Vejam-se as notícias: » A iniciativa no sentido de ser património mundial tem estado a ser "gerada" desde há dois anos. Os municípios portugueses de Valença do Minho (a norte), Almeida (no centro) e, no Alentejo, Marvão e Elvas (esta última já é Património da Humanidade a título individual) integram a candidatura que vai ser apresentada, e em relação à qual Olivença já tem uma mão estendida. Portugal já está em condições de lançar a sua candidatura, assegura Moisés Cayetano, mas a esta lista oficial de fortificações podem ir-se juntando outras, uma vez que se esteja já no caminho para o "título mundial". Nesse sentido, Olivença já leva uma vantagem, já que foi aceite pelos municípios lusos para entrar na sua lista da rede de fortificações abaluartadas da Raia.» (traduzido do "HOY", de 19 de março de 2018).

O que pede Olivença? Pede para, independentemente dos condicionalismos de Direito Internacional, se ver reconhecida como espaço de cultura alentejana/portuguesa. Exige, porque considera ser um direito seu, ver-se contemplada nos múltiplos planos de desenvolvimento do Alentejo virados para o futuro. Olivença quer recuperar o tempo perdido. Não quer fugir às razões que assistem os Estados e aos grupos de opinião e debate, mas não se quer ver limitada no seu desenvolvimento, na sua cultura e na sua identidade por considerações desse tipo.

Muito menos Olivença aceita continuar a ser ignorada. Silenciada, como tantas vezes sucede nos órgãos de comunicação. Vítima de preconceitos, que quase sempre escondem tanta e tanta ignorância!

Tenho dito,
Castelo de Vide, 30 junho 2018
Carlos Eduardo da Cruz Luna

terça-feira, 5 de junho de 2012

Sobre Olivença

PÚBLICO, 4 de JUNHO de 2012//ALCAIDE DE OLIVENÇA RETIRA CARGA BÉLICA À RECRIAÇÃO DA GUERRA DAS LARANJAS
PEÇA DE TEATRO SOBRE A ANEXAÇÃO DO TERRITÓRIO PORTUGUÊS PELO EXÉRCITO ESPANHOL, EM 1801, FOI TRANSFORMADA NUMA HISTÓRIA DE AMOR ENTRE UM JOVEM OLIVENTINO E UMA MOÇA DE BADAJOZ

A recriação histórica da Guerra das Laranjas, que se propunha realçar o episódio bélico da anexação de Olivença em 1801, durante a 1.ª Invasão francesa [NOTA: moderna corrente de opinião da historiografia portuguesa, que considera ter havido cinco invasões francesas; FIM DA NOTA], foi transformada numa peça intitulada "Sentimentos Históricos", que tem no seu epílogo a ligação amorosa entre um jovem oliventino e uma rapariga de Badajoz.
Uma intervenção "discreta" do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) junto do Alcaide de Olivença, Piriz Bernardino [NOTA: Bernardino Piriz Antón; FIM DA NOTA] , terá sido determinante nas alterações verificadas na encenação teatral, admite o historiador Carlos Luna [NOTA: Carlos Luna afirmou que era isso o que se dizia! Não disse que isso estava provado!FIM DA NOTA], acérrimo defensor da devolução do território a Portugal. O PÚBLICO tentou ontem confirmar esta versão junto do MNE, mas sem sucesso [NOTA: é evidente que o MNE NUNCA poderá admitir que contactou Olivença, já que isso seria reconhecer que Olivença é território estrangeiro!!; FIM DA NOTA]. Também a posição manifestada em Março passado por um grupo de deputados socialistas portugueses, junto do Governo, advertindo-o de que o "assunto" de Olivença poderia "ferir suscetibilidades históricas e nacionais", pode ter surtido efeito.
A iniciativa promovida por Piriz Bernardino [NOTA: Bernardino Piriz Antón; FIM DA NOTA] mereceu o repúdio dos presidentes de câmara de Elvas, Vila Viçosa e Campo Maior, que se manifestaram contrários à recriação histórica da ocupaçãoo de Olivença. Os autarcas advertiram para os riscos de recordar um acontecimento dramático que "deixou feridas abertas" na comunidade oliventina até hoje.

MAL-ESTAR DOS DOIS LADOS

O mal-estar causado pelo anúncio da recriação do evento militar estendeu-se a boa parte da população de Olivença, "incluindo aqueles mais espanholistas", considera Carlos Luna, que garante ter escutado, em diversas deslocações à localidade, a "indignação" de muitos elementos da comunidade local. "Ninguém, exceto os oliventinos, teve a ideia de celebrar a  guerra que os derrotou e comemorar a conquista, que matou [NOTA: Carlos Luna disse "prejudicou"; mas a nota é de um cronista espanhol! FIM DA NOTA] tantos dos seus antepassados", destacou, por sua vez, o historiador espanhol Ramón de la Torre, num artigo de opinião no diário Hoy [NOTA: foi no El Periódico Extremadura; FIM DA NOTA], que se publica na região da Extremadura.
Quando se pensava que a memória da presença portuguesa se circunscrevia a alguns elementos da população mais velha, a decisão do alcaide "desconfortou" boa parte da comunidade, que "não gostou da iniciativa", constata Carlos Luna. Esta posição veio igualmente provocar muitas interrogações, e o resultado está expresso "num recuo no sentido das comemorações" idealizadas pelo joven alcaide eleito pelo Partido Popular, observa Gonçalo Couceiro Feio, vice-presidente do Grupo dos Amigos de Olivença. As informações que recolheu da realização da peça teatral dizem-lhe que "foi muito mais pequena" em figurantes e tempo de representação do inicialmente programado.
A leitura que é possível fazer da peça teatral da autoria do dramaturgo extremenho Isidro Leyva, poucas horas após ter terminado, revela uma acentuada mitigação do enredo associado à Guerra das Laranjas. O alcaide explicou ao PÚBLICO que as referências às componentes bélicas se reduzem a um curto período temporal. Passou a destacar o período da História de Olivença entree 1282, quando passou a fazer parte da coroa portuguesa - através do Tratado de Alcañices [NOTA: foi em 1297, e não em 1282: FIM DA NOTA], que estabeleceu a paz entre Portugal e o reino de Castela e fixou os limites fronteiriços entre os dois reinos -, e 1801, quando foi consumada a anexação, na sequência da Guerra das Laranjas, que se mantém até hoje [NOTA: para o Estado Português, os limites são os mesmos de 1297, por causa de Paris e Viena (1814-1815); esse foi um dos aspetos que levou a criticar a recriação teatral!FIM DA NOTA].
O alcaide de Olivença assume que, "após a polémica causada por membros do Partido Socialista Operário Espanhol e por deputados socialistas portugueses", o mal-estar "terminou". Piria Bernardino [NOTA: Bernardino Piriz Anton;FIM DA NOTA] acredita que os laços com Portugal "saíram reforçados" com a reposição histórica dos 600 anos da presença portuguesa em Olivença.

UM DRAMA FAMILIAR, AMOROSO E MILITAR
DE TRÊS CENTENAS PARA OS 100 FIGURANTES
(pequena fotografia com um detalhe da Porta manuelina da Câmara de Olivença)

Quando o alcaide de Olivença anunciou, em Novembro de 2011, a recriação da Guerra das Laranjas, o número de figurantes previstos superava os 300. Mas o enredo levado à cena contou apenas com uma centena de participantes. A história teatralizada que iria ser contada ao longo de 18 dias - o período de tempo, entre 20 de Maio e 7 de Junho de 1801, em que decorreu a ocupação de Olivença pelo exército espanhol - acabou por decorrer durante meia dázia de horas, nas noites de sexta-feira e sábado. O conflito bélico passou a drama familiar e amoroso, mas não dispensou no cartaz promocional a figura de Manuel Godoy, o chefe militar espanhol que liderou a ocupação de Olivença.
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DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 4 de Junho de 2012 (CARTA)
NÃO SE FALE DE OLIVENÇA
Elogiar a Lusofonia é politicamente correto. Fá-lo qualquer intelectual português de forma automática.(...) Mas, por favor, não se fale de Olivença. Muito menos da recuperação, por locais, de valores culturais e linguísticos (caso de 73 topónimos) portugueses para "aquelas bandas"! Desfaçatez suprema! (...)As elites não gostam de surpresas destas. Calam. Silenciam. Para que ninguém saiba.
Elites, isto? Não(...).. Como dizia Zeca Afonso, "os eunucos devoram-se a si mesmos".
Grande Zeca, como tenho saudades tuas!!!
Carlos Luna, Estremoz
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TEXTO ORIGINAL INTEGRAL
OS INTELECTUAIS DO MEU PAÍS
Elogiar a Lusofonia é politicamente correto. Fá-lo qualquer intelectual português de forma automática. Delira em dissertações sobre o Português em Timor Leste. Medita sobre a sobrevivência de vocábulos e apelidos portugueses na Malásia (Malaca). Estremece com a referência a goeses que ainda sabem algo da língua de Camões. Ainda se deleitará com placas toponímicas com apelidos portugueses no Sri Lanka ( Ceilão )
Se tiver alguma coragem, referirá as afinidades entre o Português e o Galego. Se não falar duma língua única com dois dialetos, falará duma origem comum ou duma alma comum. Mas... nada de confusões políticas. A Galiza tem de ser tratada sem compromissos!
Poderá referir ruas de cidades dos Estados Unidos ou da Inglaterra onde se fala algum Português. Ou de vestígios de lusismos no Uruguay. Fica tão bem a um homem de cultura, consagrado, falar destas coisas!! Afinal, ele não é uma pessoas qualquer. É a elite moderna de Portugal, aberto, europeu, obediente a regras internacionais, algo crítica (talvez) em relação aos mercados desregulados que estão a destruir o mundo e até uma determinada ideia de Europa, mas... sem tocar em assuntos mais polémicos! Fica mal. Uma elite assim é assética. Gosta de receber prémios... ou de ler opiniões em que se diz que, se ainda os não recebeu, esse dia chegará!
Enchem-se páginas de fino recorte literário, como soe dizer-se, com dissertações sobre palavras soltas, almas, recordações lusitanas um pouco por toda a parte. Bonito, tudo isto. É História! É "chique"! Fica mesmo bem!! É uma cultura que "já deu quase tudo o que tinha a dar" (passe a vulgaridade), e que importa realçar. Afinal, ela até tem aspetos interessantes.
Mas, por favor, não se fale de Olivença. Muito menos da recuperação, por locais, de valores culturais e linguísticos (caso de 73 topónimos) portugueses para "aquelas bandas"! Desfaçatez suprema! Ao fim de duzentos anos, tal tipo de eventos assusta! Como é possível ressurgir uma cultura que foi duzentos anos reprimida? E logo... cultura portuguesa e alentejana? Que heresia!
Ainda se fossem algumas palavras em Ormuz, ou nas Ilhas Hawai, ou entre holandeses descendentes de portugueses. Em Olivença?
As elites não gostam de surpresas destas. Calam. Silenciam. Para que ninguém saiba.
Elites, isto? Não, não são. Pensam que são. Como dizia Zeca Afonso, "os eunucos devoram-se a si mesmos".
Grande Zeca, como tenho saudades tuas!!!
Estremoz, 31 de Maio de 2012
Carlos Eduardo da Cruz Luna

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Ainda sobre Olivença...

CARLOS EDUARDO DA CRUZ LUNA
 
   A História, bem o sabemos, é também construída com mitos.
   A História portuguesa não podia ser exceção.São tantos os mitos que dela fazem parte, que é difícil escolher um significativo.
   Não se pense que não se passa o mesmo com outras nações. A História de Espanha está cheia de Histórias do mesmo género.
   Chamou-me a atenção, há dias, um mito repartido na Península Ibérica, a propósito da leitura de uma páginas do "Diário de las Cortes españolas", de um dia de 1836.
   Tratava-se de um protesto da Câmara de Olivença sobre o estado crítico daquela localidade, 35 anos após a sua anexação por Madrid. A edilidade pretendia que as Cortes a ajudassem a ver-se livre de cargas fiscais insuportáveis. 
   Algumas declarações proferidas merecem alguma atenção. Assim, parece que o acordado na capitulação da Praça perante o exército espanhol em 20 de Maio de 1801 não estava a ser cumprido:«[traduzido] No ano passado de 1835, apesar das garantias estabelecidas nas capitulações de 1801 de que falei, no sentido de as famílias de Olivença serem protegidas como as outras espanholas, cometeu-se o atentado escandaloso de destruir as propriedades próximas da população, propriedades magníficas e de muito valor, arruinando os seus donos. Isto fez-se julgando-se o governador autorizado pelas regras emotidas pelo governo na época calamitosa do despotismo; de maneira que propriedades que tinham sido respeitadas no tempo dos franceses quando cercaram aquela praça, e quando a ocuparam, não o foram quando já não havia nenhum género de perigo(1)»

  Repare-se que há referência a destruições. Deste modo, não passa de um mito a ideia de que a Espanha respeitou Olivença após a ocupação.
  Outras partes significativas: «[traduzido]Senhores, não seria uma mesquinharia que tendo o "ayuntamiento" desta praça[de Olivença] recorrido às cortes, se permitisse que, com o pretexto de reedificar uma igreja, se continuasse a pagar este tributo[imposto] a acrescentar a tantos outros como os que recaem  sobre aqueles infelizes habitantes, que depois dos tempos em que viviam numa situação opulenta ,viram-se precipitados a cair na mais espantosa miséria? Se as cortes conhecessem a situação particular daquela povoação, se tivessem uma ideia do que ela era quando se entregou a Espanha em resultado da capitulação, se pudessem comparar o seu estado de decadência com o estado florescente em que se encontrava antes, não duvidariam por um momento em tirar as devidas consequências de que uma grande parte da sua ruína provém de estes encargos e contribuições especiais (2)Este excerto mostra que algo ia mal na antiga praça portuguesa.
   Mas há mais testemunhos, relatos, se se prefere: « Deputado "Gomez Becerra":  [traduzido] Senhores, por acaso, no dia em que foram a Olivença os "Senhores" Reis D. Carlos IV e a sua esposa, fui eu também àquela praça. Vi-a, e senti.me invadir pelo prazer. Acreditei que tínhamos feito uma aquisição de muita importância. Era sem discussão a localidade mais formosa que existia em toda a província da Extremadura [espanhola]. Toda ela apregoava a abundância, a riqueza, e a prosperidade. Voltei passados seis anos, em 1807, e já não conheci Olivença. Naquele curto período de tempo tinha perdido nas nossas mãos toda a formosura que tinha. E porquê? Porque, quando o governo espanhol se devia ter esmerado a proteger aquela localidade, y procurado encontrar todos os meios imagináveis para conquistar o "animo" [as vontades] dos portugueses, que era o que era preciso fazer, parece que cuidou de que fosse apenas vista como uma localidade de conquista [conquistada]. Enviou funcionários ineptos que não pensaram senão em fazer negócio, como efetivamente fizeram, da mesma ,maneira que poderiam ter feito nas ìndias [Américas] sem ter de transpor água.
   Esta tem sido a causa de os habitantes de Olivença estarem sempre esperando, como não sei se estão agora, a sua restituição ao governo de Portugal, a vinda o rei D. Sabastião. Além do mais, tive autoridade política em duas épocas diferentes naquela província, e tenho conhecimentos privilegiados sobre o que se passou em Olivença.
   Vi que os seus habitantes nos dão o trato de "castelhanos", que é o nome que dão aos espanhóis como sinal de ódio e rivalidade; e além de tudo isto que corresponde a coisas que nós sabemos, apresentam o argumento de que, tendo cometido a injustiça a Olivença de lhe conservar todas as cargas fiscais impostas pelo governo português, fizeram-nos sofrer todos os abusos de que padecem as povoações espanholas ; um destes é obrigá-los ao pagamento de contribuições que não pagam os outros povoados da monarquia (3)»
   Mais de uma vez se reconhece que Olivença fora mais próspera em tempos portugueses: « el ayuntamiento de Olivenza.   Este se halla sin escuela de primeras letras, porque sus fondos de propios no son suficientes para sustenerla despues de sacada la tercera parte líquida de ellos.«[traduzido] Em Olivença, destruíram-se vários edifícios e outras obras públicas que não se puderam reconstruir, necessitando presentemente de edifício para "Câmara municipal" por falta de fundos»(...)«Deputado Infante:sei como vossas senhorias [deputados] o estado de ruína a que chegou, e a prosperidade em que se encontrava no "outro" [português] tempo, ainda que não se deva esquecer que no tempo do domínio português a sua prosperidade consistia em ser o foco do contrabando que era introduzido na Extremadura, e, havendo desaparecido este, desapareceu com ele uma das razões para a sua prosperidade; todavia, também contribuiu para ele [estado de ruina]o que tem sofrido de muitos vexames; mas nada disto é a" questão"(4)

  O argumento de que Olivença foi conquistada para combater o contrabando,argumento do Generalíssimo Manuel Godoy, reaparece aqui, embora se reconheça «todavia, também contribuiu para ele[estado de ruina] o que tem sofrido de muitos vexames ».
   O argumento de necessidade de conquista para combater o contrabando é algo, obviamente, que só pode ser tomado como anedótico A Europa teria estado em guerras constantes durante séculos se este argumento fosse considerado válido.
   Apesar de todas estas intervenções, as Cortes espanholas optaram por nada fazer, apelando a que as autoridades locais de Badajoz o fizessem.
   Perante estes dados sobre o estado da vila, compreende-se melhor o comentário de um livro espanhol:"História de Extremadura, de Marcelino Cardalliaguet Quirant, Biblioteca Popular Extremeña, 1993, Universitas Editorial,  libro de Bolsillo,  página 205: «[traduzido]Em 1801, o território extremenho ver-se-ia repentinamente aumentado com a importante cidade de Olivença - então tão grande e povoada como Badajoz (SIC) - conquistada a Portugal na chamada Guerra das Laranjas pelo próprio Godoy (...)(5)» .
   Portugal é um recordista em aceitar mitos de tipo negativo. Vezes e vezes sem conta se ouve dizer que "Olivença se safou desta desgraça (Portugal), e vive muito melhor», e, pior ainda, «Olivença tem sido muito bem cuidada por Espanha, que a conservaram sempre carinhosamente». O que, afinal, não passa da repetição do que muitos responsáveis espanhóis, principalmente em Olivença, repetiram até à exaustão, durante mais de cem anos, sem deixarem que alguém os contrariasse...
   Tanta ingenuidade comove... e deixa-nos indignados depois de lermos estes testemunhos de 1836. E o mais curioso é que, após um pouco mais de duzentos anos, e desde 2008, exista uma organização oliventina a Associação Cultural (e SÓ CULTURAL)«Além Guadiana», de que quase ninguém fala, que luta pela recuperação da cultura portuguesa em Olivença (já levou a que cerca de 70 ruas recuperassem os seus antigos nomes portugueses) , que insiste em que a ouçam, no plano da Lusofonia.
   Pode-se dizer o que se disser, mas a capacidade de resistência da Cultura portuguesa não deixa de nos surpreender. Apesar de muitos intelectuais dizerem que tal coisa não existe...
   Estremoz, 05 de Janeiro de 2014
Carlos Eduardo da Cruz Luna
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(1)En el año pasado de 1835 á pesar de las garantías que establecen las capitulaciones de 1801 de que he hablado, para que las famílias de Olivenza fuesen protejidos como los demás españoles, se ha cometido el atentado escandaloso de destruir las propiedades inmedatas ála población, propiedades magníficas de mucho valor, arruinando á sus dueños. Esto se ha hecho creyendose el gobernador autorizado por el reglamento formado por el gobierno en la época calamitosa del despotismo; de manera, que propiedades que habian sido respetadas en tiempo de los franceses cuando sitiaron aquella plaza, y cuando la ocuparan, no lo han sido cuando no ha habido níngun género de peligro.
 
(2) Señores,  ¿no seria una mengua que habendo recurrido el ayuntamiento de esta plaza á las cortes, se permitiera que a pretesto de reedificar una iglesia, se continuase pagando este tributo después de tantos otros como gravitan sobre aquellos infelices habitantes, que desde el estado opulento en que se vieron han venido á caer en la más espantosa miséria? Si las cortes conociesen la situacion particular de aquella poblacion; si tuvieran idea de lo que fué cuando se entregó á España por efecto de capitulación; si pudiesen comparar su decadente estado con el floreciente en que se encontraba entonces; no dudarian un momento en sacar la consecuencia de que una gran parte de su ruína proviene de estes gravámenes y contribuciones especiales
 
(3) Señores, puntualmente el día que fueran a Olivenza los Srs. Reyes D. Carlos IV y su esposa, fui yo también á aquela plaza. La vi y me llené de placer. Creí que habíamos hecho una adquisición de mucha inportancia. Era sin disputa el pueblo más hermoso que había en toda la provincia de Extremadura. Todo en ella anunciaba la abundancia, la riqueza y la prosperidad. Volvi a los seis años, en el de 1807, y ya no conocí a Olivenza. Ya en aquel corto período de tiempo había perdido en nuestras manos toda la hermosura que tenía. Y por qué? Porque quando el Gobierno espanõl debía haberse esmerado en proteger aquella población,y procurado todos los medios imaginables para conquistar el ánimo de los portugueses, que era lo que necesitaba, parece que trató solo de que fuese considerado como un pueblo de conquista. Envió empleados ineptos que no pensaron más que en hacer negocio, como efectivamente lo hicieron, lo mismo que podrían haberle hecho en las Indias sin pasar  agua.
Esta fue la causa de que los habitantes de Olivenza estuvieran siempre esperando como no sé si lo están ahora, su restituición al Gobierno de Portugal, la venida del Rey D. Sebastian.  Además, he mandado en lo político en dos diferentes épocas a aquella provincia, y tengo conocimientos especiales de lo que há pasado en Olivenza.
   He visto que sus habitantes nos tratan como "castellanos" que es el nombre que dan a los espanõles como una marca de odio y rivalidad; y además de que esto consiste en cosas que todos conocemos, se fundan también en que habiendo hecho la injusticia, á Olivenza de conservarle todas las cargas que tenían impuestas por el Gobierno portugués, se le han hecho sufrir todos los abusos que sufren los pueblos españoles; uno de estos es obligarlos al pago de contribuciones que no pagan los demás pueblos de la monarquía
(4)En Olivenza se han destruido varios edificios y otras obras públicas que no se han podido reedificar; careciendo al presente de casa de municipalidad por falta de fondos.»(...)«Deputado Infante:sé como sus señorias el estado de ruina á que ha venido, y la prosperidad en que estaba en otro tiempo, aunque no debe olvidarse que en tiempo de la dominacion portuguesa su prosperidad consistia en que era el foco del contrabando que se introducia en  Estremadura, y habiendo ese desaparecido, ha desaparecido con él una de las causas de su prosperidad; sin embargo que tambien ha contribuido á ello el que ha sufrido muchos vejámenes; pero todo esto no es de la cuestion.»
(5)En 1801, el território extremeño se veria repentinamente aumentado con la importante ciudad de Olivenza - entonces tan grande y poblada como Badajoz (SIC) -, conquistada a Portugal en la llamada Guerra de las Naranjas por el próprio Godoy(...)

domingo, 8 de novembro de 2015

De Olivença...

 Um enorme cartaz dominou os dois dias do evento. 23 e 24 de outubro de 2015. Um cartaz com um desenho minucioso do monumento as Descobrimentos. Aquele de Lisboa, com o Infante D. Henrique à frente, com um dos seguidores, Frei Henrique de Coimbra, o oficiante da primeira missa no Brasil, a ser depois referido, como tendo sido bispo por aqueles lados, e estando sepultado na Catedral manuelina local. 
   E os nomes de filhos da terra ligados a essa epopeia portuguesa. Como Aires Tinoco, navegador, que, adolescente, conseguiu levar uma caravela da Guiné a Portugal(1446), passando ao largo das actuais costas da Guiné-Bissau, Senegal, Gâmbia, Mauritânia, Sahará Ocidental, e Marrocos, com a ajuda de dois inexperientes jovens, como ele, referido por Zurara. E Frei João Vicente da Fonseca (falecido em 1587) , que exerceu , por algum tempo, o governo de Goa, chegando a ser seu Arcebispo. E o tal Frei Henrique de Coimbra, o da missa no Brasil nascido ou não por ali, mas que lá foi bispo. E o Padre Manuel Fernandes, um jesuíta afamado (1530-1593). E outro jesuíta célebre, Lourenço Mexia (1539-1599), falecido como mártir no Japão.
   E a lista prossegue Longa, muito longa. Para espanto de muitos. Bartolomeu Pais Bulhão, João Carreiro, Frei Manuel Fruz (talvez Cruz), João Rodrigues Galego, António Lobo da Gama, Estêvão Vaz da Gama (pai de Vasco da Gama), Garcia da Gama, Fernão Gil, João da Gama Lobo, , Manuel Laborinho Morais, João Ribeiro de Morais,  João Borges Morais, João Pico Restolho, Simão Luís Rego,  Cristóvão da Cunha Trinchão, Rui Vicente, Estêvão Mendes Carapeto, Álvaro Castanho,  João Ruiz Dias, Isabel Rui Gama (uma senhora!), António Lobo, Fernão Lobo, Manuel Lobo,João Pessanha Loureiro (casado com uma filha importante da terra), Luís Loureiro, António Torres, António Lopes Olivença, Maria Olivença (outra senhora...), Diogo Olivença, Vasco Eanes Olivença, (São) Brás de Olivença...
   E quantos mais? Como sabê-lo? Há aqui famílias inteiras. Na Índia, no Japão, em África (principalmente nas praças de Marrocos), no Brasil. Nos séculos XV, XVI, XVII, e até XVIII. Numa Epopeia que teve de tudo. Heroísmo e abnegação. Crueldade e desrespeito. Rejeição e herança que perdura. Sonhos realizados e pesadelos infernais. Ascensão e queda.
   Fica a memória. O sentimento de ter feito parte de tudo. em complexos. Esforço duplo, porque tudo se fez par apagar essa memória. Ali, em Olivença.
   No público, alguns dos mais de duzentos oliventinos que no espaço de dez meses obtiveram a nacionalidade portuguesa (desde dezembro de 2014). Graças ao esforço da associação local «Além Guadiana». Que, passando por cima do problema da soberania, reivindica a herança portuguesa de Olivença. Na História. Na Cultura. Na Língua Portuguesa. Apenas isso. Perante um insidiosa indiferença de círculos portugueses, que talvez não percebam tanto de cultura como apregoam, Ou não acreditam ainda.
   Numa das duas noites, atuou Luiz Caracol. Música portuguesa com traços de todo o mundo. Brasil, África. Assim é a História de Portugal. Assim foi em Olivença. Que se vai reconstruindo.  Silenciada...até quando?
 
Estremoz, 08 de novembro de 2015
Carlos Eduardo da Cruz Luna

domingo, 13 de junho de 2010

Em Olivença

UM DIA HISTÓRICO PARA A LUSOFONIA

O dia 12 de Junho de 2010 ficará na História como um dia muito relevante para a Lusofonia. Graças à iniciativa de um grupos local (Associação Além Guadiana) e ao apoio das autoridades municipais e regionais, Olivença promoveu um Festival baptizado de "Lusofonia (se Olivença)", no qual, entre outras coisas, começou a recolocar os nomes portugueses das suas ruas, com uma cerimónia inaugural às 10:30
locais, na qual foi descerrada uma primeira placa com dupla nomenclatura.
O Presidente da Além Guadiana, Joaquín Fuentes Becerra, referiu à Lusa que “as placas com os nomes das antigas ruas que estavam em português foram utilizados em Olivença até à primeira metade do século XX, por isso esta iniciativa tem um cunho cultural, didático e turístico”.
Um dos objectivos reclamados por aquela associação é colocar Olivença no mapa e no espaço da Lusofonia", independentemente de Questões Políticas, que não estão na sua intenção ou no seu âmbito.
Os promotores, e depois as autoridades locais e regionais, usaram da palavra num palanque improvisado no "Terreiro do Chão Salgado", após o que se inaugurou um conjunto de pavilhões, uma zona reservada a exposições, onde estiveram artesãos, produtos de gastronomia portuguesa e a instituições do espaço lusófono, bem como
trabalhos ao vivo (olaria, por exemplo) e animação musical a cargo de grupos de Portel (Évora), dos "Gigabommbos de Évora, e outros.
Por volta das 11:00 locais houve leitura de poesia em Português, não só de alguns dos maiores poetas lusos, com de poesias tradicionais locais. Houve mesmo leitura de poesia alentejana (quadras e décimas, por exemplo) feita por oliventinoa de hoje. Este momento prolongou-se por mais de uma hora. Homens e mulheres, adultos, crianças e idosos, sucederam-se, tendo-se mesmo ouvido velhos refrões, adivinhas, e provérbios.
Seguiu-se uma demonstração de folclore, através do grupo “La Encina” de Olivença e da atuação das Cantadeiras de Granja (Évora).
À tarde, foi projetado no "Espácio para la Creación Joven", o filme “O Leão da Estrela”, e houve actividades de animação nas ruas, bem como a actuação dos alunos de português da escola pública Francisco Ortiz, de Olivença.
A "Estória da Galinha e do Ovo" e "O Canto dos Poetas", ambos interpretados pela associação "Do Imaginário" de Évora, foram outros dos atrativos desta iniciativa promovida pela associação “Além Guadiana”.
À noite, houve actividades musicais e animação de vários tipos, tudo muito concorrido.
Por vezes, não são os grandes eventos oficiais, com altas figuras, que representam por si só marcos na História. Neste caso, após duzentos anos de silenciamento de Olivença como espaço lusófono, houve um reencontro de Olivença com as suas raízes culturais, da forma mais pública e assumida de que há memória. A Cultura, que é o
que mais perdura na memória das sociedades, marcou um ponto importantíssimo a seu favor, e a Lusofonia reconquistou um espaço significativo, nomeadamente pelo seu valor simbólico. Entre outros aspectos, este foi um momento de muita emoção.

Carlos Eduardo da Cruz Luna (com base na observação directo do evento e nas informações da "Lusa")

Estremoz, 13 de Junho de 2010

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A ESTRANHA ODISSEIA LUSÓFONA DE OLIVENÇA

 
 
    Cheguei a Olivença em 1988. Os primeiros contactos foram de espanto e revolta. Espanto pela beleza do que vi, pela portugalidade imensa dos monumentos e da arquitetura tradicional alentejana. Só quem lá foi entende. Revolta, também dizia eu, pela destruição dos laços culturais, históricos, familiares, linguistcos... e sei lá que mais!
    O franquismo destruiu quase tudo. Um comunicado dum Grupo ligado a esta questão, em 1960, denunciava-o. Eis um trecho:«...   vinham há anos a Lisboa, trazidos pelo nosso "Grupo", contigentes de crianças oliventinas a estagiar na "colónia infantil balnear de "O Século (...) ao aperceberem-se os espanhóis da influência lusófila que esses estágios exerciam na população portuguesa de Olivença, proinbiram em absoluto a vinda a Lisboa,de novos grupos de crianças, e a sua reacção violenta, mesmo feroz, (...), vai ao ponto de proibir agora, até que os oliventinos falem Português; que excursões portuguesas visitem Olivença, algemam e desterram os oliventinos que manifestem sentimentos lusíadas, estabelecendo o terror entre a população, deixam arruinar propositadamente as nossas relíquias monumentais, picam as armas portuguesas dos escudos dos monumentos, arrancaram o nome à antiga Praça de Portugal; e, não lhes bastando tudo isto, ainda se está fazendo nas escolas de Oliivença uma campanha de descrédito contra Portugal, que apresentam às crianças como um país insignificante, pobre, sem importância mundial, província desgarrada da Espanha, ao mesmo tempo que apresentam esta como uma nação grande, próspera, feliz de enorme projecção mundial que em nada se compara com Portugal.»
    Este comunicado, enviado ao governo de Salazar, ficou sem resposta... e o Estado português nada fez para contrariar esta situação! Em 1975, a Democracia foi regressando a Espanha, sem que quase nada fosse feito então para corrigir os frutos destas práticas da ditadura.
   Eu, com  alguns amigos, resolvemos fazer algo impensável e irrealista. Distribuir pelas gentes de Olivença INFORMAÇÃO. Histórica e cultural. Sem apelos de natureza política ou nacionalista, longe disso.Um trabalho persistente, com materiais artesanais, mas cientificamente corretos e verdadeiros. Contra alguns interesses, apenas.
    Não foi fácil. A partir de 1988, e muitas vezes em castelhano (´única forma de ser entendido), e de maneira aleatória, inúmeros olventinos receberam informação histórica, linguística e cultural. Sem segundas intenções. Quixotescamente, sim. Amadoristicamente. Mas com muita humildade e determinação, sem excluir alguma ingenuidade. Sempre partindo do princípio que muito de Portugal sobrevivia escondido.
    Em março de 2008, de forma inesperada, era anunciada a criação, em Olivença, por autóctones, duma associação reivindicativa da Cultura Portuguesa. Sem ligações a pessoas ou grupos portugueses. Sem se pronunciar, EM ABSOLUTO, sobre questões de soberania.
    Decididamente, eu e os meus amigos tínhamos visto bem. A Cultura portuguesa NÃO ESTAVA MORTA EM OLIVENÇA.
    Não sei (não sabemos) se tive (tivemos) muita ou pouca importância no aparecimento desta associação.Seria muito pretensioso afirmar que existe alguma conexão Aliás, para evitar problemas à mesma, apoio (apoiamos) a sua atividade, sem pretender(mos) fazer parte dela.    
    Repito: não quero (queremos) imiscuir-me nas atividades do Além Guadiana, cuja independência se deve respeitar. Só reafirmo ( e passo a falar a nível exclusivamente pessoal) o que venho dizendo há 28 anos, perante as orelhas mocas e o desprezo quase trocista de muitos: encontrei em Olivença, e sem querer equacionar aqui o problema da soberania (que existe, mas cuja resolução não me compete, ainda que tenha opiniões...), muito mais de Portugal do que muitos imaginam. Encontrei uma maneira de ser, um sentimento (por vezes difuso), todo um conjunto de valores portugueses de que muitos locais nem tinham bem consciência. Mas tudo isso estava lá. Com aspetos por vezes surpreendentes, tanto na sua intensidade como pela sua inserção num contexto algo contraditório. Não se pode esquecer, e vou-me repetir, que houve, nos últimos 200 anos, uma política ativa de ocultação de um passado histórico, para além de pressões de todo o tipo (mudanças de apelidos, secundarização e desprezo pela língua portuguesa, distorção/falsificação da História..., e até violência física, historicamente documentada). Mas... ao contrário do que uma visita superficial podia mostrar, muita coisa de Portugal continua viva. Descobri várias provas disso em inúmeras pesquisas. Tentei alertar jornalistas e intelectuais, quase sempre em vão. E, afinal, tive a grata surpresa de ver oliventinos a tomar conta desta sua herança. Sem querer chamar a mim qualquer mérito (repito que nada tenho a ver com o Além Guadiana), sinto-me recompensado no que de presença portuguesa quis, quase sempre em vão, revelar ao mundo... passe a imodéstia. Tem sido uma situação de enleio para mim, uma das melhores da minha vida). Mas... outros aspetos podem ser analisados aqui, decorrentes desta feliz e bem sucedida "aventura" de uma organização exclusivamente oliventina. Na verdade, o caso dos quase 500 oliventinos (que deveão em breve ser mais) mostra também, quanto a mim, uma coisa: a incrível resistência do sentimento Português. Nós, portugueses desde sempre, habituados a decidir em liberdades sobre nós próprios, acabamos por nos desvalorizar (é conhecido o nosso pessimismo), e quase por nos desprezar. Nem nos damos conta do valor de ninguém nos questionar o que somos. Os oliventinos, após 200 anos de afastamento, submetidos por vezes a situações de repressão a vários níveis, por vezes a um autêntico genocídio cultural, vêm mostrar-nos como pode ser difícil viver com os laços ancestrais negados e interrompidos, e de como é importante retomar esses laços. Tenham cuidado os que consideram que o "ser português" pouco significa, ou que o sentimento de pertença a Portugal é algo ténue e irrelevante. Estes oliventinos vêm-nos mostrar que estão enganados. Para o melhor e para o pior, somos filhos duma cultura com uma resistência admirável!
 
Estremoz, 13 de novembro de 2016
Carlos Eduardo da Cruz Luna

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

“De Olivença vê-se o mar”



Por ocasião da apresentação da proposta do município de Olivença para se tornar associado da UCCLA, vai ter lugar amanhã, dia 19 de fevereiro, a partir das 10 horas, na sede da organização, um importante evento de intercâmbio empresarial “De Olivença vê-se o mar”.

É um evento carregado de simbolismo e significado tendo em atenção as relações históricas existentes entre Portugal e a cidade de Olivença, que sempre aproximaram os oliventinos e os portugueses, com mais de um milhar de oliventinos a terem hoje uma dupla nacionalidade, a portuguesa e a espanhola, porque a legislação espanhola o permite aos que a requeiram.

À semelhança do que sucede com outras cidades ou regiões de outros países, como Macau ou Santiago de Compostela, há muito associadas da UCCLA e que os estatutos desta permitem, é com muita honra e reconhecimento que vemos agora Olivença propor a sua adesão.

A proximidade das relações existentes, a todos os níveis, e as referências históricas de Portugal, que a cidade de Olivença ostenta em muitos dos seus monumentos, ruas e instituições públicas e privadas, são elementos que, com a adesão do município à UCCLA, reforçarão ainda mais a proximidade, incentivando os fluxos turísticos e criando condições para o intercâmbio de Olivença com os países de língua oficial portuguesa. UCCLA





domingo, 18 de outubro de 2015

OLIEXPANSÃO, 23 e 24 de OUTUBRO de 2015

Decorrerá, em Olivença, por iniciativa da "AULA DE PORTUGUÊS" da Universidad Popular de Olivenza, um encontro/ciclo de debates de dois dias, sob o lema "AS VIAGENS PORTUGUESAS E O ENCONTRO DE CIVILIZAÇÕES", com o apoio de múltiplas entidades e a intervenção de vários oradores, incluindo um deputado português.
   Tudo terá início no dia 23 de Outubro, às 11:30 (hora de Madrid; 10:30 de Lisboa), no Convento de São João de Deus, com uma cerimónia de abertura, em que falarão vários intervenientes ,quase todos da organização (presidente da Câmara d Olivença, Diretor do Turismo da Extremadura, Deputado da Diputación de Badajoz, um dirigente do Turismo do Alentejo, um deputado português, e o Presidente da Associação Cultural Lusófona oliventina "Além Guadiana"); depois, será lançado o livro "A Competitividade no Sector do Turismo; Contributos, Desafios e Implicações", de Cristina Estêvão; seguir-se-á uma mesa redonda sobre o Turismo em Olivença, e, seguidamente, pelas 17: 00 (16:00 de Portugal), uma visita guiada a Olivença e o "Embarcadouro" de Vila Real, junto ao Guadiana, em frente de Juromenha (a 10 Km. de distância). Às 18:30 (17:30 de Lisboa, de regresso, e no Museu Etnográfico "González Santana"(Castelo dionisino), ter´lugar uma conferência sobre "História e Cultura do Brasil/A Carta de Pêro Vaz de Caminha", seguindo-se a abertura duma exposição subordinada ao tema "AS VIAGENS PORTUGUESAS E O ENCONTRO DE CIVILIZAÇÕES". No final, já na Casa da Cultura de Olivença (22:00; 21:00 de Lisboa), poder-se-á assistir ao Concerto "Universo Lusófono", a cargo de Luís Caracol.
   No dia 24 de Outubro, na Casa da Cultura também, às 10:30 (9:30 de Portugal), ocorrerá uma projeção de Cinema Infantil ("A Turma da Mônica-Uma Aventura no Tempo"), Cinema Sénior ("O Guarani"), e, após o almoço, uma videoconfrência entre oliventinos no mesmo local (17:00; 16:00 de Lisboa)("Europeus e brasileiros: Ilhéus"); ás 17:40 (16:40), terá lugar um "atelier" de "Atividades lúdico.pedagógicas alusivas às Viagens Portuguesas - «Os Descobrimentos»", a cargo de Escolas e Instituições oliventinas; às 18:30 (17:30 em Portugal), a encerrar, será representada  peça teatral "A Aldeia das Laranjas", pelo Grupo de Teatro "Do Imaginário", de Évora.
   Recorde-se que Olivença participou destacadamente na aventura portuguesa dos Descobrimentos, destacando-se duas figuras: Aires Tinoco (Séc. XV), grande figura de navegador ainda no tempo do Infante D. Henrique, e Frei João da Fonseca, arcebispo de Goa (séc. XVI). No que toca às relações com o Brasil, hás três Olivenças no Brasil, uma delas nos arredores de Ilhéus, e o primeiro Bispo residente e falecido em Olivença, o qual mandou erguer nela o templo de Santa Maria Madalena, jóia do Manuelino, foi Frei Henrique de Coimbra... nada menos que o oficiante da primeira missa no Brasil, em 1500!
 
Estremoz, 18 de Outubro de 2015
Carlos Eduardo da Cruz Luna

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Habitantes de Olivença pedem nacionalidade portuguesa

Segundo noticia do jornal espanhol Hoy Olivenza, no dia 24 Abril, setenta e três cidadãos de Olivença (36 homens e 37 mulheres) adquiriram a nacionalidade portuguesa, juntando-se assim a um outro grupo de oitenta oliventinos que já a tinham obtido em 2014.

No total, a soma dos 'novos portugueses' cifra-se já em 153.

Em 2014..
Oitenta habitantes de Olivença (Espanha) adquiriram a nacionalidade portuguesa, tendo sido entregues mais 90 pedidos junto do Estado português para obter a dupla nacionalidade, anunciou hoje a associação Além Guadiana.

«Além de outros oliventinos que possam ter adquirido a nacionalidade portuguesa por outras vias, há 80 pessoas com dupla nacionalidade. E já estão solicitados mais 90 pedidos para obter a nacionalidade portuguesa», explicou Eduardo Machado, um dos fundadores da Além Guadiana.
De acordo com o responsável, «muitos destes novos pedidos» que estão em curso são de descendentes de oliventinos (naturais de Olivença, historicamente disputada entre Portugal e Espanha) que já adquiriram a nacionalidade portuguesa.

Os cidadãos que já obtiveram a dupla nacionalidade possuem ascendência portuguesa, sendo a associação um «veículo» que contribui para que todo o processo seja concluído com sucesso.
«Nós fomos uns meros canalizadores desta vontade popular», sublinhou.

Eduardo Machado explicou que o processo burocrático junto do Estado português «não é complicado», apesar de longo. Em Olivença fala-se português desde a Idade Média, embora o seu uso se encontre hoje reduzido às camadas mais idosas, quando estão em «ambiente familiar».

A presença portuguesa em Olivença é evidente em vários locais, sendo um dos maiores exemplos a igreja de Santa Maria da Madalena, o único espaço religioso espanhol de estilo manuelino.

O templo, obra da arquitectura portuguesa do século XVI, rico na talha dourada, na azulejaria e nos elementos marítimos, é visitado diariamente por centenas de turistas. Olivença está localizada na margem esquerda do rio Guadiana, a 23 quilómetros da cidade portuguesa de Elvas e a 24 quilómetros de Badajoz (Espanha).

Fonte: Diário Digital/Lusa

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

MANIFESTO (A PROPÓSITO DO MANIFESTO DE CELEBRAÇÃO DOS 800 ANOS DA LÍNGUA PORTUGUESA)

É notícia e é oficial. A Língua Portuguesa completa 800 anos (1214, testamento de Afonso II). E, nestes dias de Junho de 2014, surge um Manifesto que junta nomes vários da Lusofonia para assinalar o facto. Veio nos jornais, com pompa e circunstância. «O deputado José Ribeiro e Castro é um dos promotores do manifesto, que reúne "professores, autoridades, escritores, linguistas, cineastas, homens e mulheres da cultura», era um dos títulos. Repetido ou "adaptado", em quase todos os órgãos de comunicação. É a História de uma língua que tem os seus primórdios na Galiza, lá pelos séculos IX ou X; que passa a galaico-português nos séculos XI e XII (ainda hoje há quem defenda que o Galego e o Português são dialetos duma mesma língua); que se assume como própria nesse texto de 1214. Espalhou-se pelo território português, deixando apenas um pequeno espaço para o Mirandês (um dialeto ásture-leonês). Ganhou cada vez mais consistência e firmeza. Depois dos Séculos XV e XVI, ganhou projeção mundial. Hoje, tem mais de 240 milhões de falantes, incluindo um gigante (o Brasil). É língua mãe dos mais desvairados sentimentos e aspirações. Língua culta e popular. Celebrá-la é celebrar a forma de expressão de uma boa parte da humanidade. Já a têm dado como imprópria para alguns níveis de cultura. Alguns dos seus falantes preferem outros idiomas em simpósios internacionais (e até, o que é pior, nacionais!). Mas ela está aí. Evoluindo. Basta estar atento. Mas... nem sempre tem tido a atenção merecida. Veja-se o que sucede em Olivença. Sim, digo bem, Olivença. Aquela terra esquecida, conotada, quase sempre por preconceito, com as mais variadas orientações políticas, ou com aspirações fora de moda, de esquerda ou de direita. Na verdade, o Português foi sendo falado na região, e foi maioritário até às décadas de 1960 e mesmo 1970. Na de 1980, começou a perder terreno. Alguns intelectuais, ao longo dos séculos XIX e XX, preocuparam-se com tal, mas pouco conseguiram fazer, mesmo porque poucos os escutavam. Agora, a Língua Portuguesa faz 800 anos. E refere-se a sua capacidade de resistência e de adaptação. Mas (há sempre um "mas"), ninguém parece estar a dar-se conta de um fenómeno curioso. Em Olivença, pois então! Na verdade, desde março de 2008, círculos oliventinos, autóctones mesmo, mobilizaram-se. E começaram a lutar por uma língua e cultura que era a sua, e que resistia, apesar de parecer estar em perigo. Nascia o "Além Guadiana". Que, desde então, e evitando debruçar-se sobre problemáticas de soberania (que existem, mas são pouco relevantes para o caso), tem lutado pela cultura e língua da sua Região. Procura reafirmar-se como lusófono, e querer fazer parte desse espaço. Em 2008, 2009, e 2010, promoveu espetáculos/encontros a que chamou "Lusofonias", para os quais convidou intelectuais e órgãos de informação. Em 2011, a par de mais um encontro, conseguiu que fossem repostos os antigos nomes portugueses em 74 ruas de Olivença. O que, pasme-se, foi pouco noticiado. Atualmente, em Olivença, têm surgido casos de pedidos de nacionalidade portuguesa, referidos até na televisão portuguesa (22 e 24 de março de 2013). Sempre, sublinhe-se, sem intenções políticas ou controvérsias sobre soberania. O "Além Guadiana" pede apenas respeito e reconhecimento. Quer ajuda portuguesa desinteressada, para tentar fazer Olivença aproximar-se da situação linguística das décadas de 1950 e 1960. A 30 de maio de 2014, a Associação "Além Guadiana" apresentou, no pátio do velho castelo dionisino, o esboço de uma recolha de Português "oliventino". Inúmeros populares, incentivados, usaram da palavra, em Português, e apelou-se aos oliventinos em geral no sentido de usarem a sua língua no dia-a-dia. O próprio "alcalde" interveio, apoiando. Infelizmente, muitos convidados portugueses não apareceram, embora outros estivessem presentes. Não é possível, numa altura em que se celebram 800 anos de uma língua, ignorar este fenómeno de recuperação do Português em Olivença. Quem persistir nesta atitude estará a ser hipócrita. Ou a ser apenas "politicamente correto", o que, neste caso, vai dar ao mesmo....
 
CARLOS EDUARDO DA CRUZ LUNA

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A PROPÓSITO DO MANIFESTO DE CELEBRAÇÃO DOS 800 ANOS DA LÍNGUA PORTUGUESA



   É notícia e é oficial. A Língua Portuguesa completa 800 anos (1214, testamento de Afonso II). E, nestes dias de Junho de 2014, surge um Manifesto que junta nomes vários da Lusofonia para assinalar o facto. Veio nos jornais, com pompa e circunstância. «O deputado José Ribeiro e Castro é um dos promotores do manifesto, que reúne "professores, autoridades, escritores, linguistas, cineastas, homens e mulheres da cultura», era um dos títulos. Repetido ou "adaptado", em quase todos os órgãos de comunicação.
   É a História de uma língua que tem os seus primórdios na Galiza, lá pelos séculos IX ou X; que passa a galaico-português nos séculos XI e XII (ainda hoje há quem defenda que o Galego e o Português são dialetos duma mesma língua); que se assume como própria nesse texto de 1214.
   Espalhou-se pelo território português, deixando qpenas um pequeno espaço para o Mirandês (um dialeto ásture-leonês). Ganhou cada vez mais consistência e firmeza. Depois dos Séculos XV e XVI, ganhou projeção mundial. Hoje, tem mais de 240 milhões de falantes, incluindo um gigante (o Brasil).
   É língua mãe dos mais desvairados sentimentos e aspirações. Língua culta e popular. Celebrá-la é celebrar a forma de expressão de uma boa parte da humanidade.
   Já a têm dado como imprópria para alguns níveis de cultura. Alguns dos seus falantes preferem outros idiomas em simpósios internacionais (e até, o que é pior, nacionais!). Mas ela está aí. Evoluindo. Basta estar atento.
   Mas... nem sempre tem tido a atenção merecida. Veja-se o que sucede em Olivença. Sim, digo bem, Olivença. Aquela terra esquecida, conotada, quase sempre por preconceito, com as mais variadas orientações políticas, ou com aspirações fora de moda, de esquerda ou de direita.
   Na verdade, o Português foi sendo falado na região, e foi maioritário até às décadas de 1960 e mesmo 1970. Na de 1980, começou a perder terreno. Alguns intelectuais, ao longo dos séculos XIX e XX, preocuparam-se com tal, mas pouco conseguiram fazer, mesmo porque poucos os escutavam.
   Agora, a Língua Portuguesa faz 800 anos. E refere-se a sua capacidade de resistência e de adaptação. Mas (há sempre um "mas"), ninguém parece estr a dar-se conta de um fenómeno curioso. Em Olivença, pois então!
   Na verdade, desde março de 2008, círculos oliventinos, autóctones mesmo, mobilizaram-se. E começaram a lutar por uma língua e cultura que era a sua, e que resistia, apesar de parecer estar em perigo. Nascia o "Além Guadiana". Que, desde então, e evitando debruçar-se sobre problemáticas de soberania (que existem, mas são pouco relevantes para o caso), tem lutado pela cultura e língua da sua Região. Procura reafirmar-se como lusófono, e querer fazer parte desse espaço.
   Em 2008, 2009, e 2010, promoveu espetáculos/encontros a que chamou "Lusofonias", para os quais convidou intelectuais e órgãos de informação. Em 2011, a par de mais um encontro, conseguiu que fossem repostos os antigos nomes portugueses em 74 ruas de Olivença. O que, pasme-se, foi pouco noticiado.
   Atualmente, em Olivença, têm surgido casos de pedidos de nacionalidade portuguesa, referidos até na televisão portuguesa (22 e 24 de março de 2013). Sempre, sublinhe-se, sem intenções políticas ou controvérsias sobre soberania. O "Além Guadiana" pede apenas respeito e reconhecimento. Quer ajuda portuguesa desinteressada, para tentar fazer Olivença aproximar-se da situação linguística das décadas de 1950 e 1960.
   A 30 de maio de 2014, a Associação "Além Guadiana" apresentou, no pátio do velho castelo dionisino, o esboço de uma recolha de Português "oliventino". Inúmeros populares, incentivados, usaram da palavra, em Português, e apelou-se aos oliventinos em geral no sentido de usarem a sua língua no dia-a-dia. O próprio "alcalde" interveio, apoiando. Infelizmente, muitos convidados portugueses não apareceram, embora outros estivessem presentes.
   Não é possível, numa altura em que se celebram 800 anos de uma língua, ignorar este fenómeno de recuperação do Português em Olivença. Quem persistir nesta atitude estará a ser hipócrita. Ou a ser apenas "politicamente correto", o que, neste caso, vai dar ao mesmo....

Estremoz, 14 de junho de 2014
CARLOS EDUARDO DA CRUZ LUNA