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Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Texto que nos chegou...

O MENDIGO IMPACIENTE DO PODER
Ou uma (falsa) esperança chamada Fernando Nobre

Um médico também pode ficar doente. O pior é quando surge a crónica doença do poder, podendo tornar-se cada vez mais obsessiva. No caso de Fernando Nobre, ainda mal despontavam os sintomas – nem lhe entravam ainda propriamente no corpo – já a doença lavrava em todo ele. Não havendo ainda cura para tal, não há outro remédio senão deixar morrer o micróbio no líquido ácido da sofreguidão. Desconheço se o homem Fernando Nobre tem de facto carácter, e isso pouco me importa, pois não convivo com ele, mas fiquei a saber que não tem a mínima convicção política, e que defraudou a expectativa de milhares e milhares de cidadãos portugueses. E se porventura tem alguma convicção, não foi a que agora mostrou, que não está nada de acordo com a que exibiu anteriormente. Um pretensioso general que, ao invés de cuidar dos traumatismos dos soldados – podendo aqui ser de facto general de mérito - não sabe para onde guiar as suas tropas, ou, pior do que isso, as leva para o abismo sem nada lhes dizer. Fernando Nobre revelou-se um mau educador de tanta juventude que o olhava com esperança, qual brisa fresca na construção de um novo paradigma para este ainda desajeitado século XXI, na tresloucada democracia portuguesa. O frágil lutador contra a “partidocracia” sucumbiu perante uma maleita que estaria já nele incubada, mas que muitos portugueses ainda não tinham diagnosticado. Depois subiu-lhe a febre de repente, e vieram as convulsões… O arauto falhado de um movimento de cidadania consciente e participativa, agora terá que ir para o fim da fila e, enquanto espera, ler o Leal Conselheiro ou um outro actual, talvez o Ajude-se a si próprio. Miguel Torga, na década de setenta, bem avisou, em tom algo profético, para que ao Povo nunca se jurasse o seu santo nome em vão. Não sei o que Fernando Nobre sente quando entoa aquela passagem de A Portuguesa onde se fala do «nobre povo». Seja como for, jurou em vão várias vezes, como é do conhecimento de todos. Mas, nesta jura de Judas, confirmou uma espécie de constante histórica nossa: a do aparecimento dos falsos D. Sebastião que se fazem sempre anunciar de vários modos e com soluções eficazes, ao contrário do verdadeiro, que não se sabe quando aparece nem como actuará. Beethoven suprimiu a dedicatória a Napoleão, na sua 3ª sinfonia, quando percebeu as intenções deste último. Em minha humílima mas sincera atitude, não poderei anular os dois textos laudatórios que escrevi sobre Fernando Nobre. Reconheço o meu engano. Mas os deuses, provavelmente antevendo mais uma trágico-comédia portuguesa, fazem-me agora ver que, no fundo, as palavras eram de louvor à esperança, representadas por um infeliz actor que já abandonou a cena. A esperança jamais morrerá, ao contrário deste episódio efémero que, contudo, veio chamar a atenção para o risco de haver cada vez menos portugueses para gerar esperança. No dia 10 de Abril morreu definitivamente para muitos o círculo dos Vencidos da Política, (entenda-se a da “partidocracia”), mas haverá ainda os «Não Vencidos da Cidadania», os «Não Vencidos do Pensar». A despeito da mesquinhez a que tem sido sujeito, dentro
e fora do país, o ideal português não morreu de todo, perante um punhado de sinistros Velhos do Restelo de melosos discursos de ousadia, que afinal são de negação de si mesmos e da pátria, da qual falam sem autoridade moral e cultural, embora legitimamente representando o país que os vai elegendo. Falei em bússola num dos meus textos anteriores. A bússola de Fernando Nobre tem outros pontos cardeais. Não são os meus nem os de milhares de portugueses, humilhados na sua dignidade, nesta terra de injustiça e de desalento, onde muitos abandonam o chão onde vivem para rumar a outro chão, na esperança de não ser tão pequeno e sem tanta estreiteza mental e cultural. O candidato é mesmo impaciente. Não podia esperar pelas ainda longínquas eleições presidenciais. Ainda bem que tudo se clarificou para as legislativas. Perante a sua impaciência sejamos nós pacientes para, serenamente, assistirmos à representação do mito de Ícaro. Esperemos que se cumpra, obviamente sem estragos materiais.

10 de Abril de 2011
Eduardo Aroso

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

FERNANDO NOBRE – O PRESIDENTE OCULTO , de Eduardo Aroso

Epílogo de uma candidatura

Fernando Nobre não ganhou, mas ficou. O mesmo é dizer: não ficando, vai sendo. À imagem do sentido que, ao longo da História, é atribuído ao papa e à existência de um anti-papa, também, neste caso da política portuguesa, o candidato da esperança volveu-se num padrão vivo, espinho no sistema (ou no modo do seu funcionamento), uma sombra que fez tremer os representantes do statu quo da democracia lusa, actualmente com pouca luz. Assim – em mais um paradoxo português - ao invés dos profissionais da política e seus procuradores que, ao longo da campanha, deveriam ir vencendo os adamastores actuais que barram e asfixiam a sociedade portuguesa afrontando a fragilidade de ideias e acções, Fernando Nobre, não ele, mas para eles, tornou-se, pouco a pouco, um adamastor que lhes aparecia, ora a bombordo, ora a estibordo. No princípio, parecendo inofensivo, e nos últimos dias um arrepio de espinha.

Candidatura, portanto, marginal, dos “sem-abrigo” voluntariamente desabrigados dos tectos do gesso do compadrio e das vigas estafadas do sistema. Por vontade própria de cada um e na egrégora de todos, foi-se construindo uma rampa promissora que continuará certamente depois do resultado das eleições. A acção cívica, que engloba cidadania e aldeania, não cessa mesmo quando o candidato se retira ou faz uma pausa mais ou menos longa.

Todavia, dado que uma mesma paisagem ou um igual sonho pode não ser entendido do mesmo modo por muitos em questão, há sempre quem possa querer «pôr remendo novo em pano velho» ou «vinho novo em odres velhos». Pouco monta se um ou outro personagem desta comunidade cívica ainda possa pensar desta maneira, quando o que importa é que a sede de todos é de um licor nunca provado, numa taça outra.

Sendo certo que se impõe a dignidade do respeito e reconhecimento institucional, tomada a frase de um mestre que disse que «a verdade é um diamante de muitas faces», e tal como o dia se avalia pela noite, e vice-versa, assim se pode conceber que haja um presidente visível e um presidente oculto. A imagem é clássica, pois provém do mais alto simbolismo e não do rasteiro conceito de oposição, à maneira parlamentar deste desajeitado início de século. É dever, portanto, trazer aquela imagem, não por mera conveniência de circunstância, mas porque é inamovível. Quando se diz que Nobre é, a partir de agora, o presidente oculto, não significa que fique escondido ou mais ou menos acoitado, mas sim preservado para o que o tempo possa destinar. Presidente oculto ou sinal da expectativa manifestada na sociedade portuguesa que, fazendo jus à hora, se elegeu ela própria como consciência vigilante que repudia um paradigma de política portuguesa que tem, legitimamente é certo, um presidente eleito por aqueles que nele votaram.

É difícil saber se o grito inicial «mais além» poderia ter sido de outro modo. Foi-o, o do momento e no momento. Passámos vitoriosamente o Cabo da Boa-Esperança e muitos cabos das tormentas de vária ordem. Postos já a caminho, não chegámos (ainda) à Nova Índia, aqui tão perto de nós, na certeza de que também no longe bem sabemos navegar.

Entre Figueira da Foz e Coimbra, 24 de Janeiro de 2011.
Eduardo Aroso

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

FERNANDO NOBRE – A CANDIDATURA DA LIBERTAÇÃO

Dito desta maneira, pode ser incompreensível para muitos e até chocante para alguns. O certo é que Fernando Nobre, que não é travesti da política, traz, como a primavera que lenta mas seguramente se aproxima, a semente sã para ser lançada na sociedade portuguesa. Ele é a cor que pode lavar o cinzento da nossa democracia, cada vez mais cinzenta, entenda-se, de cinzas. De facto, Portugal, há já muito tempo, que está em quarta-feira de cinzas. Fernando Nobre pode anunciar a ressurreição ou renascimento, como cada um queira entender. O Estado providência, transformado em Estado indecência, ficou-nos um Estado hipnótico. Os hipnotizadores, sabemos quem são. Amarram o sonho, colocam a máscara pegajosa do velho paradigma que agoniza desesperado: o dos políticos que nunca tiveram profissão e que lançam estranhas inquisições sobre o povo que, elegendo os fazedores da lei, deles recebe a lei que amesquinha quem elege o legislador. É urgente que se diga, no círculo de cada um, que Fernando Nobre tem sabido utilizar a chave para abrir estas grades que nos acorrentam diariamente: a de ter que ouvir os mesmos políticos que foram carrascos e agora, miraculosamente, se apresentam como salvadores. E a chave de Fernando Nobre não é feita de metal pesado, e muito menos a do «vil metal« utilizada pela partidocracia: é a que ele sempre teve, feita do metal nobre da sua competência, da sua honestidade e – vale dizê-lo – da sua simpatia e afabilidade. É de todos conhecido o magistral painel de Almada Negreiros, intitulado «Começar», patente na Fundação Gulbenkian. Desconheço as razões que levaram o artista – se é que ele as explicou - a denominar a sua obra «Começar», ou se terá hesitado no nome «Recomeçar». O certo é que aquilo que escreveu nos pode servir de modelo para a candidatura de Fernando Nobre que, quis o Destino, adoptou como palavra-chave RECOMEÇAR PORTUGAL.

Ponto de Bauhütte:

Um ponto que está no círculo
E que se põe no quadrado e no triângulo.
Conheces o ponto? tudo vai bem.
Não o conheces? tudo está perdido.

(Almada Negreiros)

Coimbra, 12 de Janeiro 2011
Eduardo Aroso

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Carta aberta ao candidato Fernando Nobre

DA ESPERANÇA NEVOEIRO À ESPERANÇA PADRÃO

De livre vontade, reflectido acto e acreditando haver ainda portugueses com a mesma estrutura genética das gerações de Avis - que ao invés de acumular dívidas deixam padrões civilizacionais -, aceitei ser membro da comissão de honra da sua nobre candidatura pelo círculo de Coimbra. Fi-lo e assim o mantenho, na mesma condição de alma que busca também o melhor discernimento, não duvidando de o Doutor Fernando Nobre ser um desses portugueses da tal organização genética, com notável percurso profissional e de impoluta ética.
No horizonte sombrio que se descortina, é V. Exa. o navegador mais equipado de sentimentos, de um humanismo que não se fica pelo teor académico, mas indubitavelmente manifestado no campo da vida tão abrangente como o da esfera armilar. Figura ideal, capaz de presidir sem hipocrisia ao país, à nação e à pátria; homem de lusa itinerância que aproxima as pessoas em causas que tendo origem na dor humana, em dedicada auscultação tem respondido com o mais elevado sentido cívico, qualidade primeira que se exige a quem desempenha o mais alto cargo de uma nação. A esta linguagem de humanidade também o Dr. Fernando Nobre pode, como ninguém, convocar a Língua Portuguesa, operando assim o contraponto necessário e urgente a redutoras influências que, no mesmo jeito de «primeiro estranha-se, depois entranha-se», nos têm empurrado para uma ditadura sobre a nossa cultura. Ora, esta e outras situações, de limitações tremendas para a expressão do nosso pensamento, deve volver-se num grito de desespero para se afirmar e expandir definitivamente a Língua de Fernando Pessoa como idioma de cultura bem cuidada na seara do mundo, começando por se tratar o desleixo no nosso quintal…
Todos sabemos que os ventos entre nós - por soprarem sempre do mesmo lado se tornaram pestilentos - não são favoráveis à acção de Fernando Nobre num rumo urgente, inteligente e consequente, que possa tirar Portugal dos caminhos que o íntimo das consciências dos mais idosos já não aceita, seja qual for o sedutor apelo para essa via, e as gerações mais novas, aturdias, ainda assim, intuitivamente se recusam a palmilhar. Por isso, distinto candidato Fernando Nobre, ousemos provocar a direcção na qual, há já muito, todos vão alegremente no estranho paradoxo da tristeza de não saberem para onde vão. Tendo presente que «o homem e a hora são um só», a sua nobre pessoa saberá lançar, à maneira de no mito de Fausto, a “nota dissonante” sobre o “amen” prosaico da actual cena política portuguesa que, quer seja a do sim ou a do não, é sempre inconsequente para o melhor fim.
Esta é a hora de não haver hesitação, a hora da coragem, de tudo projectar na tela da alma do nosso Povo, pois - permita-me, humilde mas sinceramente, dizer-lhe – poderá ser a mais alta oportunidade que o destino pode conceder a V. Exa. e às gentes do nosso país. Nada há a perder, estando já assegurada a mais saborosa das vitórias: dizer aos portugueses o que ninguém tem dito; dar ânimo como nunca ninguém o trouxe, intuir o caminho - politicamente correcto ou incorrecto - que nunca ninguém ousou mostrar. São muitos a dizer que «o rei vai nu», mas o Dr. Fernando Nobre mostrará a todos, pela sua acção, que o Padrão que, no «areal moreno», Diogo Cão deixou no caminho da civilização, é de natureza bem diferente daquela do padrão-formatação, sobretudo sócio-cultural, de que Portugal tem sido vítima.
A verdadeira vitória começa, pois, na sua eleição pelas consciências despertas. O que elas esperam é de si, não de outros que personificam Portugal decadente, e que quando abrem a boca é na estreiteza das suas laringes cansadas e roucas, escondendo um paradigma que agora já só pode representar o moribundo sistema materialista europeu e mundial, que continua a insistir em «meter vinho novo em odres velhos». Assim, na sua eleição como candidato, pelas consciências despertas, o Povo soará o clarim de recomeçar Portugal, ou continuá-lo onde não tem sido tocado. Todos os que estão consigo são a maré forte para a fortaleza que é necessária ao país, e que, nesta hora, lhe pedem para lançar o grito de «terra à vista», isto é, que a esperança nevoeiro para muitos seja a esperança padrão, visível e corpórea de quem deixa, antes de mais, marca no coração ansioso dos portugueses. Para os que em si sempre acreditaram e sobretudo para muitos que ainda virão a acreditar, e porque alguns o têm apelidado de candidato dissimulado, não poderá haver vertigem de dúvida para ninguém, sendo certo que há quem não necessite de ver para crer.
Todos acreditamos que a sua acção, prosseguindo, tornar-se-á, a partir de agora, uma nunca vista injecção de vigor nacional! Cresce o eco estimulante no seio da população que o ouve, os tais portugueses com genes de Avis e de civismo de pendor republicano de um Sampaio Bruno, de um Antero, de um Junqueiro, de um Jaime Cortesão, e entre outros mais recentes, como Agostinho da Silva e Fernando Valle. Desta maneira, até as gerações mais jovens se sentirão motivadas para aumentar essa prole tão necessária para recomeçar ou continuar Portugal.

Coimbra, 5 de Novembro de 2010

Eduardo Aroso

domingo, 10 de outubro de 2010

Texto que nos chegou

FERNANDO NOBRE: O PRESIDENTE DESEJADO OU O REGRESSO DA ESPERANÇA

Ah, meu povo traído,
Mansa colmeia
A que ninguém colhe o mel!…

Miguel Torga


Portugal não só está com um diagnóstico de doença complexa - longe vá o agoiro do prognóstico reservado -, como há já muito que sofre de maleitas sempre mal curadas. Ecografias e outros exames são claros: há muita corrupção de tecidos e obstruções sérias à circulação sanguínea, digo à realização da iniciativa e da inteligência nacionais. Trombos e outras anomalias têm feito grassar micróbios e bactérias que formam zonas nocivas de banalidade, de indigência mental, de falta de irrigação de humanismo nos locais de trabalho e uma progressiva e assustadora ausência (como quem perde glóbulos) de sensibilidade e de bom-senso para as coisas diárias e do verdadeiro sentimento do que é português e lusófono.

O Doutor Fernando Nobre sabe qual a medicação nacional de certos valores que nos podem salvar, ou pelo menos livrar-nos de cair na actual barbárie que já nos arreganha os dentes. Está atento entre o ter e o ser, com a preciosa tecnologia como instrumento dominado e não dominador, com bússolas nossas a indicar caminhos novos. Uma nação é como uma fábrica que tem sobretudo gente dentro. Fernando Nobre pode evitar que o já adiantado escorbuto nacional atinja tanto o corpo como a alma.

É preciso, de uma vez por todas, interiorizarmos que o novo paradigma mundial, ao contrário dos últimos dois séculos, não reclama apenas o cientismo como salvação da espécie humana, mas a reconversão dos valores da humanidade, sabiamente equilibrados com a ética científica e na total responsabilidade do cidadão, de qualquer cidadão, que o direito há-de garantir por todas as formas.

Ora, é no campo do humanismo, da sensibilidade e porventura de outros predicados, que um presidente pode ajudar a conduzir um país. Mas tudo ficaria ainda incompleto se a isto não juntasse convicção. E é fácil de ver que a longa e multifacetada carreira profissional de Fernando Nobre é a de um homem convicto, que está nos antípodas do carreirismo dos actuais políticos portugueses que geralmente nunca tiveram profissão. E, quando ocupam cargos públicos, também não consta que verdadeiramente professem, embora, quando são empossados, leiam um papel para todos ouvirem em directo televisivo.

Fernando Nobre será tão convicto como Presidente da República, como tem sido na sua demanda de ajudar os outros a serem mais felizes e realizados. Poderá haver desígnio maior para um cargo de presidente do que alguém que sempre teve por nobre profissão deixar os outros num estado melhor do que os encontrou?

Podemos, legitimamente, perguntar se sensibilidade e sentido humanista serão suficientes para o desempenho de tão alto cargo. Não nos esqueçamos de todo o seu perfil: tem a seiva, fruto de um esforçado lavrar da vida, esse conhecimento a que Camões chamou «madre experiência».

O diverso, que não disperso, converge em Fernando Nobre numa unidade de tal forma que pode fazer dele o presidente mais singular da república portuguesa. Herdando os genes de um Fernão Mendes Pinto, peregrina ele pelo mundo, não apenas pela curiosidade geográfica ou outra, não por mero protocolo diplomático, mas como resposta ao apelo da dor dos que sofrem num qualquer recanto do mundo onde haja necessidade latejante do ser humano. Ora é aqui que a esperança encarna completamente.

Fernando Nobre é o exemplo do português universal que, como disse Agostinho da Silva, não se conteve e partiu, mas, por sopros e andanças do destino, regressa, ou melhor, está onde é preciso estar. Ele entendeu bem o sentido da frase pessoana «Minha pátria é a língua portuguesa», pois que esta pode transportar a ideia de pátria do chão onde se nasce para um outro, quando então o verbo guarda no tempo e exprime toda a essência de uma cultura. Fernando Nobre respira lusofonia. Não é um lusófono de gabinete. Conhece as variantes e variações do idioma português, sabe dos seus timbres, toca em muitos ramos frondosos nascidos do fértil tronco ou rumor da língua portuguesa. Para bem governar a sua gente, o bíblico rei Salomão rogou ao Criador por sabedoria. Nós pressentimos que Fernando Nobre tenha já em si atributos de confiança, serenidade e isenção, que com toda a certeza sabem ouvir as vozes do Povo. É natural que possa vir a ter também horas de interrogação, podendo sentir ou não necessidade de lembrar-se de Salomão.

Fernando Nobre é a esperança de um «plantador de naus a haver», das que nos levarão «às Índias Espirituais». Não desconhecerá por certo as pedras pontiagudas do mundo, que são muitas, e os muros menos visíveis que o betão. É a adrenalina da esperança que Fernando Nobre está a fazer crescer em nós e no país. Acreditamos que sente a vida intensa desta «mansa colmeia», há muito tempo esquecida, e lhe adivinha nova aventura no século XXI. Cremos que a olha como o fruto mais doce, porque obreira incansável de auréola luminosa na forma perfeita ainda da esfera armilar.

Coimbra, 5 de Outubro de 2010

Eduardo Aroso