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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhar de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva

terça-feira, 9 de março de 2021

Bora lá destruir o Padrão dos Descobrimentos?

 

“Mesmo o Padrão [dos Descobrimentos], num país respeitável, devia ter sido destruído.”

Ascenso Simões, Deputado do Partido Socialista

In Público, 19 de Fevereiro de 2021

 

Era decerto inevitável. Mais cedo ou mais tarde, o Talibanismo Politicamente Correcto iria ter a tentação de dar o “salto em frente”, depois de ter conseguido a sua vitória (de Pirro) nos arranjos florais da Praça do Império, em Lisboa.

Uma coisa, porém, são arranjos florais – outra, muito diferente, são monumentos em pedra. Por isso, apesar de não nos surpreender a “sugestão”, não estamos minimamente preocupados. Nenhum Governo, jamais, se atreverá a demolir o Padrão dos Descobrimentos.

Acreditamos até que o Deputado do Partido Socialista em questão tenha consciência disso. Mesmo que não a tenha, o seu Secretário-Geral, notável descente do demoníaco Império, tê-la-á por ele. Se algum dia o Partido Socialista assumisse esta “sugestão” como sua, nesse mesmo dia o Partido Socialista morreria para sempre em Portugal. Acreditamos plenamente que maioria do Partido Socialista tenha consciência disso.

A forma como o Partido Socialista foi gerindo a famosa “geringonça” prova bem isso. Também aí, uma coisa são os “arranjos florais” – leia-se: a retórica inconsequente –, outra, muito diferente, são os “monumentos em pedra” – leia-se: as políticas de fundo. Por isso, o Partido Socialista, no tempo da “gerigonça”, nunca cedeu no que era realmente importante.

O Partido Socialista sabe muito bem que o país real não tem nenhum problema de fundo com a sua História. No essencial, orgulha-se dela – apesar de, obviamente, ter consciência de que vivemos outros tempos. Isto apesar de todas as vozes que, ao mínimo pretexto, procuram “revolucionar” essa situação. Mais recentemente, a propósito da morte de Marcelino da Mata, em que, uma vez mais, se fizeram mil e uma comparações idiotas (é mesmo o termo) entre o colonialismo português e o colonialismo nazi.

Insinuaram algumas dessas vozes que Marcelino da Mata foi, apenas, o “nosso judeu”. Como se, no colonialismo nazi, algum judeu tivesse tido alguma condecoração oficial. Bizarros tempos estes em que tanto tem que se insistir no óbvio: no colonialismo nazi, os judeus ou fugiram ou foram mortos; não foram incorporados nas forças armadas nem, muito menos, condecorados. Por isso, muito bem esteve o nosso Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em ter estado presente no funeral de Marcelino da Mata. Gratos, também por isso.

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org


Declaração MIL sobre a situação na província moçambicana de Cabo Delgado


A situação que se vive na província moçambicana de Cabo Delgado, no extremo norte da República de Moçambique, rica em recursos naturais, exige de todos nós, cidadãos lusófonos, a maior atenção, solidariedade e empenho.
Como tem sido amplamente noticiado, há um conflito em curso, em parte fomentado por forças externas, que ameaça arrastar-se no tempo, sem qualquer possibilidade visível de pacificação a curto prazo.
A pretexto de uma guerra com motivações pretensamente religiosas, as forças insurgentes têm conseguido mobilizar alguns moçambicanos, sobretudo jovens, em particular em áreas mais desfavorecidas – onde tem existido menos emprego, menos desenvolvimento e menos investimento na Educação. Esse tem sido, assim, um terreno fértil para a disseminação desta revolta.
Não temos dúvidas de que essas forças insurgentes, se tivessem que realmente governar a região, iriam perder todo o apoio que vão tendo, dado que o desemprego, o subdesenvolvimento e o analfabetismo não se combatem com meros “slogans”, para mais enganadores.
Temos igualmente consciência de toda a importância da dimensão religiosa em Moçambique – um bom exemplo, de resto, até à data, de uma sã convivência inter-religiosa, nomeadamente entre a religião católica e islâmica –, e conhecemos bem o fundamental papel das várias instituições religiosas, sem excepção, na resolução dos problemas sociais mais prementes. Menosprezar toda essa importância é ignorar, por inteiro, a realidade moçambicana (e africana, em geral).
Por tudo isso, não podemos aceitar que a província moçambicana de Cabo Delgado se torne mais uma vítima do fundamentalismo (pretensamente) religioso. Exortamos, pois, o Governo da República de Moçambique a solicitar o empenhamento de toda a CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, de modo a, no imediato, pacificar o território, bem como – ponto não menos importante – a promover, com esse apoio internacional, um maior desenvolvimento da região, para benefício de toda a população aí residente.

MIL: Movimento Internacional Lusófono

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O MIL, a(s) Esquerda(s) e a(s) Direitas(s)...



José Pedro Zuquete, in Ideias e Percursos das Direitas Portuguesas, coord. de Riccardo Marchi, Lisboa, Texto Editora, 2014, p. 420.

Agostinho da Silva, primeiro inspirador da CPLP...

Cármen Maciel, "A construção da Comunidade Lusófona a partir do antigo centro", Tese de Doutoramento em Sociologia, Fac. Ciências Sociais e Humanas, Univ. Nova de Lisboa, 2010 (Tese vencedora da 4ª edição do "Prémio Fernão Mendes Pinto"), Lisboa, Instituto Camões, 2015, p. 50.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Timor-Leste - Embaixador de Portugal e Presidente do Parlamento Nacional discutem desenvolvimento de recursos humanos

 


Díli – O Presidente do Parlamento Nacional, Aniceto Guterres, disse que o seu encontro com o Embaixador de Portugal em Timor-Leste, José Pedro Machado Vieira, teve como objetivo falar sobre a cooperação entre o Parlamento timorense e a Assembleia da República Portuguesa, nomeadamente no desenvolvimento de recursos humanos.

Aniceto Guterres reconheceu que Timor-Leste tem como grande desafio o desenvolvimento dos recursos humanos em todas as áreas, incluindo a capacitação dos funcionários e deputados do Parlamento Nacional.

“Alargámos a cooperação entre os dois parlamentos, designadamente na área dos recursos humanos do Parlamento Nacional timorense e temos a possibilidade de oferecer bolsas de estudo aos funcionários e aos técnicos parlamentares”, disse o Presidente do Parlamento Nacional, após a reunião com o diplomata português, no Parlamento Nacional.

“A reunião de trabalho entre o Embaixador de Portugal e o Presidente do Parlamento Nacional consistiu em discutir oportunidades e possibilidades de apoio da Cooperação Portuguesa ao Parlamento timorense. Portugal tem sido um país amigo de Timor-Leste, com diversos projetos de cooperação, que, em nome do povo e do Parlamento Nacional, quero aqui agradecer”, referiu.

Também o Embaixador de Portugal, José Pedro Machado Vieira, disse que este país capacitará os funcionários do Parlamento Nacional nas áreas da língua portuguesa, das finanças públicas, entre outras.

“Encontrei-me com o Presidente do Parlamento Nacional para falarmos sobre a cooperação entre os dois países, sobretudo a de longa data entre o Parlamento Nacional e a Assembleia da República Portuguesa, mas também sobre os pontos de colaboração”, concluiu. Domingos Freitas – Timor-Leste in “Tatoli”

Volume IV das “Obras Escolhidas” de Manuel Ferreira Patrício

 


Em Março, mais um Livro MIL "Mestres da Língua Portuguesa": "Antero de Quental", de Jorge Chichorro Rodrigues

 

Para encomendar: info@movimentolusofono.org

Outros Livros da COLEÇÃO MESTRES DA LÍNGUA PORTUGUESA

Em Março, Curso MIL sobre Agostinho da Silva...


 

Já disponível: vol. I das "Obras Escolhidas de Manuel Ferreira Patrício"

 


Faça já a sua encomenda...

Para encomendar: info@movimentolusofono.org

sábado, 6 de março de 2021

Brasil - Encontro Internacional reúne Cátedras Camões

 


“Mobilidades em contextos culturais de Língua Portuguesa” é o tema do Encontro Internacional das Cátedras Camões no Brasil.

As sessões ocorrem uma vez por mês, sempre às quartas-feiras, entre março e julho de 2021, com transmissão pelo canal de Youtube das Cátedras no Brasil.

A primeira sessão está agendada para o dia 10 de março, das 15h00 às 17h00, e terá como tema: “Língua Portuguesa em trânsito: migração, acolhimento e hospitalidade”.  A coordenação é do Centro de Estudos Luso-afro-brasileiros – PUC Minas, Cátedra Camões no Brasil.

A participação no encontro é gratuita. Programa e formulário aqui.

O projeto integrado de pesquisa MOBI 2020-2021: mobilidades em contextos culturais de língua portuguesa acontece desde março de 2020, por pesquisadores de universidades brasileiras, com atuação em Cátedras apoiadas pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Lisboa).

São elas a Cátedra Jaime Cortesão (Universidade de São Paulo), a Cátedra Padre António Vieira de Estudos Portugueses (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), o Centro de Estudos Luso-Afro-Brasileiros (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), a Cátedra Agostinho da Silva (Universidade de Brasília e Universidade Federal de Uberlândia) , a Cátedra Fidelino de Figueiredo (Universidade do Estado da Bahia) e a Cátedra João Lúcio de Azevedo (Universidade Federal do Pará). In “Mundo Lusíada” – Brasil  

quinta-feira, 4 de março de 2021

São Tomé e Príncipe – Cooperação portuguesa presente na especialidade de oftalmologia

 

2654 cirurgias em oftalmologia é o balanço de 33 missões médicas de Portugal na especialidade de oftalmologia, realizadas em São Tomé e Príncipe.

Os dados foram divulgados durante as segundas jornadas de oftalmologia do Hospital Ayres de Menezes.

As sucessivas missões médicas de especialidade, no quadro do projecto saúde para todos, realizaram 17761 consultas de oftalmologia e 2654 doentes foram operados, e recuperaram a visão.

Ahmed Zaky Director Executivo do Instituto Marquês de Valle Flôr, parceiro da cooperação portuguesa na execução do projecto “Saúde para Todos”, disse que se trata de um recorde internacional em termos de atendimento e de assistência médica às populações.

A par da assistência médica e medicamentosa, aos pacientes com problemas de visão, no quadro do Projecto Saúde para todos São Tomé e Príncipe conta com a sua primeira médica especialista em Oftalmologia.

A médica Grimalde Trindade, fez o curso de especialidade em oftalmologia na faculdade de medicina de Coimbra, e deverá nos próximos dias fazer o seu “exame de saída” no hospital Ayres de Menezes.

O Ministro da Saúde Edgar Neves, considerou a componente especialidade do projecto “Saúde para Todos”, como um instrumento que «dá a quadros nacionais competências para maior autonomia do sistema nacional de saúde», declarou o ministro da saúde. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Jovens entregam cabazes para ajudar alunos cabo-verdianos da Universidade de Évora

 

Évora – Cerca de 60 cabazes com bens alimentares de primeira necessidade e material escolar e roupa de inverno foram reunidos por um grupo de jovens e entregues a estudantes cabo-verdianos carenciados da Universidade de Évora.

A entrega dos cabazes realizou-se na quinta-feira, numa iniciativa promovida por um grupo informal de jovens, denominado “Perceptions”, sediado em Évora e inscrito no Registo Nacional do Associativismo Jovem (RNAJ).

“Estamos sempre muito atentos ao que se passa em Évora, apercebemo-nos de que existiam jovens que precisavam de ajuda e começámos a fazer a recolha”, disse à agência Lusa o porta-voz do grupo de jovens, Rafael Matos.

Este elemento dos “Perceptions” indicou ter começado a seguir com mais atenção a situação de um grupo de cerca de 60 estudantes cabo-verdianos da Universidade de Évora depois de ter visto nas redes sociais o apoio dado pela Câmara de Évora, também com a entrega de cabazes.

“É uma situação complicada. Quando às pessoas lhe falta comida ou precisam de ajuda convém ser o mais urgente possível”, sublinhou, notando que em pouco mais de um mês o grupo de jovens conseguiu juntar alimentos, material escolar e roupa de inverno.

Rafael Matos, aluno da Escola Superior de Enfermagem S. João de Deus da Universidade de Évora, contou que os “Perceptions” começaram por juntar “aquilo que cada um podia dar” para constituir os cabazes.

“Um quilo de arroz aqui, um quilo de massa ali e todos conseguimos dar um bocadinho”, explicou, acrescentando que, depois, também recorreram “às redes sociais” para pedir donativos e “a pessoas e instituições” que “gostam de ajudar”.

O porta-voz do grupo de jovens referiu que para que seja dada “uma ajuda mais regular” aos estudantes cabo-verdianos, o grupo já os sinalizou junto de instituições, como Caritas, Banco Alimentar Contra a Fome e Misericórdia.

“São jovens que vem estudar para Portugal e, mesmo que tenham bolsa, [o valor que recebem] não cobre metade das despesas que têm e isso leva ao ‘stress’ financeiro”, notou o também estudante de enfermagem.

Rafael Matos salientou que os estudantes internacionais têm “muitas despesas”, alegando que o valor da propina “é mais alto” e que os quartos em Évora “são caros”, havendo rendas de “300 euros e 400 euros, muitas vezes, sem condições”.

A Câmara de Évora entregou, no início de Janeiro deste ano, 50 cabazes com bens essenciais a alunos cabo-verdianos que frequentam a universidade local.

Na altura, o município explicou que a entrega dos cabazes inseriu-se no projecto “Cabo Verde na UÉ”, criado há três anos por um estudante de doutoramento em Bioquímica para apoiar os alunos deste país que frequentam o ensino superior na cidade alentejana. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Moçambique - Organização Médicos Sem Fronteiras alerta para milhares de deslocados em Cabo Delgado

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou para a situação de milhares de deslocados de guerra dispersos em áreas de “acesso impossível”, devido à insegurança, na província moçambicana de Cabo Delgado, defendendo uma abordagem inclusiva na assistência humanitária


“Temos quatro distritos de acesso impossível para a assistência humanitária a milhares de deslocados em Cabo Delgado”, afirmou Alain Kassa, representante da MSF em Moçambique.

Alain Kassa falava num seminário sobre a situação humanitária em Cabo Delgado, organizado pelo Instituto de Estudos Económicos e Sociais (IESE), uma entidade moçambicana de pesquisa independente.

Os distritos de Mocímboa da Praia, Muidumbe, Macomia e Quissanga, na província de Cabo Delgado, região norte, são os que acolhem refugiados sem acesso a nenhum tipo de assistência humanitária, porque são os mais duramente atingidos pela ação de grupos armados, afirmou.

Citando dados das Nações Unidas e do Governo moçambicano, o representante da MSF apontou que mais de 600 mil pessoas fugiram dos distritos afetados pelo conflito armado para distritos seguros na província de Cabo Delgado e nas províncias vizinhas de Nampula e Niassa, norte, e Sofala e Zambézia, centro.

“A assistência humanitária que tem sido prestada aos deslocados em centros de reassentamento é insuficiente, porque não têm sido canalizados apoios à altura das necessidades”, destacou.

A alimentação, água, cuidados de saúde, higiene, atividades de geração de renda e abrigo constituem os bens necessários com maior urgência para os deslocados da violência armada em Cabo Delgado, apontou Alain Kassa.

Kassa referiu igualmente a necessidade de vacinação dos deslocados de guerra, contra várias doenças, como outras das carências com que as vítimas da guerra naquela região se debatem.

Sobre as necessidades financeiras para a assistência humanitária às vítimas do conflito armado, o representante da MSF apontou dados das Nações Unidas, cuja última atualização fixou em 35,5 milhões de dólares (29 milhões de euros) o montante necessário para uma resposta humanitária rápida.

Por seu turno, Fonseca Mateus, padre e antropólogo residente na cidade de Pemba, capital de Cabo Delgado, defendeu a necessidade de criação de condições de ocupação para adolescentes e jovens, visando impedir o seu recrutamento por grupos armados na região.

“Se se diz que o desemprego e falta de ocupação foram favoráveis ao recrutamento de jovens para os terroristas, então tem de se proporcionar ocupação aos jovens e adolescentes obrigados a fugir dos distritos afetados pela violência”, declarou Fonseca Mateus.

A situação, prosseguiu, vai encorajar os jovens e adolescentes deslocados a abandonarem os locais de acolhimento e a entregar-se a atividades nocivas.

O número de deslocados devido ao conflito armado em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, subiu em dezembro para 670 mil pessoas, anunciaram as Nações Unidas na mais recente atualização de dados compilados pelas agências humanitárias.

Além das pessoas que fugiram das suas casas, na maioria crianças e jovens, muitas comunidades que os recebem estão sob pressão e estima-se que haja 950 mil pessoas “a enfrentar fome severa” nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula – sendo 242 mil crianças com desnutrição grave.

Os ataques armados crescem desde 2017, alguns foram reivindicados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde há ano e meio, mas não há certezas sobre quem está por detrás da violência organizada que tem sido combatida pelas Forças Armadas e de Defesa de Moçambique (FADM).

Cabo Delgado é uma região rica em pedras preciosas, madeiras e local onde avança o maior investimento privado de África, para extração de gás natural a partir de 2024.

Diversos relatórios internacionais indicam que a costa da província também faz parte de uma das rotas de tráfico de droga, sobretudo heroína. In “África 21 Digital” – Brasil com “Lusa”


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

CPLP - Guiné Equatorial subscreve oposição dos países lusófonos à pena de morte

Os estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) afirmaram-se “inequivocamente contrários” à pena de morte, numa declaração lida nas Nações Unidas e subscrita pelos nove membros, incluindo a Guiné Equatorial, onde esta ainda vigora

Na declaração lida em português, nesta terça-feira (23), num painel sobre o tema, no âmbito da 46.ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, os estados-membros da CPLP afirmam que “são firmes e inequivocamente contrários” à aplicação da pena de morte.

Esta posição contou com a concordância da Guiné Equatorial, o único dos nove países onde vigora a pena de morte, apesar do compromisso de Malabo em abolir este regime do seu código penal, aquando da adesão ao bloco lusófono, em 2014.

No documento, os Estados-membros comprometem-se a “envidar esforços” para a abolição universal da pena de morte.

“Os mesmos devem envidar esforços para a abolição universal da pena de morte, em conformidade com a resolução sobre direitos humanos e abolição da pena de morte de 2003, compromisso reiterado em 2013, aquando da Cimeira de Maputo”, lê-se no texto da declaração.

“Oito dos nove Estados-membros da nossa Comunidade ratificaram o segundo protocolo facultativo ao pacto internacional sobre os Direitos Civis e Políticos sobre a abolição da pena de morte, o que muito nos regozija”, sublinham na declaração, deixando assim presente que um dos nove países que integram a CPLP ainda mantém a pena de morte em vigor, a Guiné Equatorial.

Por outro lado, realçam a recente decisão de Angola de ratificar aquele instrumento e apelam a todos os países para que acabem com a pena de morte.

“Felicitamos Angola pela recente ratificação deste instrumento e apelamos a todos os países que ainda mantêm a pena de morte para que adotem uma moratória à sua aplicação, com vista a uma total abolição e para que ratifiquem este Protocolo Facultativo”, afirmam na declaração na declaração.

Para os Estados-membros da CPLP, “a pena de morte consubstancia uma violação dos direitos humanos, na medida em que se trata de uma pena cruel, desumana e degradante, incompatível com o princípio da dignidade da pessoa humana, com o dever de respeito pelo direito à vida e com o da proibição da tortura”.

Além disto, consideram que a pena de morte não comporta “eficácia ao nível da prevenção geral ou especial do fenómeno criminal”.

“Não tem um efeito dissuasor do crime. Trata-se também de um acto irreversível e que ignora por completo um outro propósito primordial da justiça criminal, que é o da reinserção social do infrator”, acrescentam.

“A atual tendência no caminho para a abolição universal é encorajadora. Contudo, estamos conscientes de que muito permanece ainda por fazer, tanto para a eliminação da pena de morte como das outras violações de direitos humanos, que lhe estão associadas e que afetam desproporcionalmente as pessoas mais pobres, marginalizadas e em situação de maior vulnerabilidade”, concluem.

Desde a sua independência de Espanha, em 1968, a Guiné Equatorial tem sido considerada pelos grupos de direitos humanos como um dos países mais repressivos do mundo, devido a alegações de detenção e tortura de dissidentes e de fraude eleitoral.

Obiang, que tem liderado o país desde 1979, é o Presidente em funções há mais tempo em todo o mundo.

Além da Guiné Equatorial integram a CPLP, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “África 21 Digital” - Brasil

Volume II das “Obras Escolhidas” de Manuel Ferreira Patrício

 

No volume II das “Obras Escolhidas” de Manuel Ferreira Patrício, republicamos, numa versão devidamente revista, a sua Dissertação de Doutoramento – A Pedagogia de Leonardo Coimbra: Teoria e Prática –, concluída em 1983 e posteriormente publicada (“sem alterações”, segundo o próprio), pela Porto Editora, em 1992. Pela sua extensão, esta é uma obra que teria que ocupar o espaço de um dos volumes desta Colecção das “Obras Escolhidas” de Manuel Ferreira Patrício. Sendo que, pela sua qualidade, esta é igualmente uma obra que mereceria sempre o maior destaque – quer na história da hermenêutica de Leonardo Coimbra no plano académico, quer na história filosófica do próprio Manuel Ferreira Patrício, independentemente do facto, por si só significativo, desta obra ter sido a sua Dissertação do Doutoramento. Com efeito, nesta obra, os dois eixos principais da produção do nosso autor que referimos no Prefácio ao primeiro volume (“a Teorização da Educação e a Hermenêutica Filosófica”) aparecem inquebrantavelmente ligados entre si. Para Manuel Ferreira Patrício, a verdadeira Teorização da Educação só poderá ser de matriz filosófica. E é por isso que, nesta obra, tematiza “A Pedagogia de Leonardo Coimbra”, na “teoria” e na “prática”, a partir dos fundamentos filosóficos leonardinos.

O mesmo fará, nas décadas seguintes, a respeito de outros autores. Por isso, aliás, cedo se tornou evidente para nós a inviabilidade de separar, nesta Colecção, os textos de Teorização da Educação dos textos de Hermenêutica Filosófica. Decerto, há textos em que o pendor está mais num dos eixos do que no noutro. Mas em todo eles, diríamos, há essa interligação axial: em todos os textos de Teorização da Educação, há uma clara procura de uma fundamentação filosófica (ainda que nem sempre com remissão para algum autor específico – sendo que, em todos eles, diríamos igualmente, paira a sombra luminosa de Leonardo Coimbra e da sua razão poética como visão amorosa…). Contrapolarmente, em (quase) todos os textos de Hermenêutica Filosófica há sempre uma tendência para encontrar uma “pedagogia”, ou, como prefere dizer Manuel Ferreira Patrício, uma “antropagogia”, não fosse essa, afinal, para o nosso autor, a vocação maior da própria filosofia: a formação integral do ser humano, a sua “plenificação”. E é também isso o que acontece, exemplarmente, nesta obra: mesmo quando essa “pedagogia” (ou “antropagogia”) está (muito) submersa, Manuel Ferreira Patrício faz-nos esse trabalho – faz-nos essa oferta – de trazê-la à tona…

Para além disso, como dissemos, esta é uma obra marcante na história da hermenêutica de Leonardo Coimbra no plano académico – ao contrário do que foi acontecendo, como é sabido, em círculos extra-académicos, como o designado “Grupo da Filosofia Portuguesa”, onde Leonardo Coimbra nunca foi esquecido, desde logo pelos seus discípulos José Marinho e Álvaro Ribeiro. Após as pioneiras Dissertações de Doutoramento de Manuel da Costa Freitas (Momentum activitas subjecti in cognitione iuxta Leonardi Coimbra doctrinam, 1954) e Ângelo Alves (O sistema filosófico de Leonardo Coimbra, 1962), Leonardo Coimbra não foi, de facto, um autor muito estudado universitariamente – o contra-exemplo mais proeminente terá sido o do estudioso brasileiro Miguel Spinelli, igualmente doutorado, em 1980, com uma dissertação sobre Leonardo Coimbra (A Filosofia de Leonardo Coimbra: o Homem e a Vida, dois termos da sua antropologia filosófica, publicada, no ano seguinte, pela Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa). Com esta sua obra, Manuel Ferreira Patrício resgatou-o desse injusto oblívio, abrindo o caminho para que, já neste século, outras Dissertações de Doutoramento emergissem. Falamos, em particular, de duas: A Ontologia integral de Leonardo Coimbra (2001), de Manuel Cândido Pimentel, e A Metafísica da Experiência em Leonardo Coimbra (2011), de Samuel Dimas.

Post Scriptum: No que respeita a todo o trabalho de digitalização e revisão da Dissertação de Doutoramento de Manuel Ferreira Patrício, agradecemos, em particular, a Paulo Santos.

Para encomendar: info@movimentolusofono.org

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Estados Unidos da América - Emigrantes estão a perder a língua portuguesa

 A comunidade luso-americana apontou como principal prioridade a retenção da língua e o investimento em aulas de português na segunda edição do Índice Nacional do Conselho de Liderança Luso-Americano (PALCUS, na sigla em inglês), apresentado esta quarta-feira nos Estados Unidos


“O maior desafio que as pessoas consideram que a comunidade luso-americana enfrenta é a retenção da língua portuguesa”, afirmou a investigadora Dulce Maria Scott notando que esta preocupação aumentou desde o primeiro índice, realizado em 2017.

Os luso-americanos inquiridos na pesquisa selecionaram, por isso, as aulas de português como maior prioridade de investimento na comunidade. “Temos uma população que está interessada em aprender português, por isso precisa de mais aulas de português”, resumiu a investigadora.

Alguns inquiridos disseram que não vivem perto de uma comunidade portuguesa e sentem dificuldade em aprender a língua, apesar da vontade.

Embora a investigadora tenha sublinhado que o índice não tem ainda uma amostra representativa de toda a população luso-americana, algo que o PALCUS planeia conseguir na próxima edição, os dados recolhidos mostram um declínio acentuado nas capacidades linguísticas de português à medida que as gerações avançam.

Este é um fenómeno “que acontece com todos os grupos de emigrantes”, disse Dulce Maria Scott. No índice, 41,7% dos inquiridos de todas as gerações reportam fluência em português, sendo que 52,6% dos falantes aprenderam em casa com os pais e familiares.

“Muito poucos usam português nos seus empregos, o que mostra o elevado nível de integração dos luso-americanos na sociedade americana”, sublinhou Dulce Maria Scott.

A dificuldade de retenção reflete-se no facto de que 49,2% dos filhos dos inquiridos não falam português.

A investigadora sublinhou também “surpresa” com a falta de conhecimento sobre os programas que estão disponíveis para estudar em Portugal: 71,8% disseram não saber sobre os mesmos e 63,7% afirmaram que gostariam de aproveitar estas oportunidades.

A questão da educação é uma das preocupações mais evidentes da comunidade, nomeadamente os custos elevados nos Estados Unidos da América e a complexidade do processo de entrada no ensino superior.

O índice também concluiu que “parece haver um maior investimento na política nacional”, com mais donativos a campanhas políticas e a causas reportados pelos luso-americanos que em 2017.

Com dados detalhados sobre nível de educação, tipo de emprego, rendimentos e demografia dos luso-americanos inquiridos, o índice mostra uma integração cimentada na sociedade americana ao mesmo tempo que há preocupação com a manutenção das organizações lusas e a preservação da língua e tradições.

O elevado número de inquiridos que visitou Portugal recentemente mostra “que existe ainda um turismo da saudade” e vontade de manter as ligações.

Segundo os dados mais recentes do American Community Survey (ACS), que também foi analisado nesta sessão, havia em 2018 1358190 luso-americanos contabilizados nos Estados Unidos, uma redução de 5% em relação a 2010.

“O índice PALCUS e o ACS mostram que os luso-americanos são um grupo estabelecido que continua a progredir no seu caminho de integração na sociedade americana”, resumiu Dulce Maria Scott.

“Em simultâneo, continuam empenhados na sua herança portuguesa, ainda que reconhecendo que é difícil manter a língua e replicar tradições étnicas”, frisou.

Angela Simões, dirigente do PALCUS, indicou que a pesquisa para o próximo índice será conduzida em 2022. Entretanto, a organização irá apresentar os resultados de uma pesquisa relativa às tendências de voto dos luso-americanos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo